11 de maio de 2026
CASO ‘HOMEM-ARANHA’

Moradora detalha invasão em prédio de luxo de SJC: ‘Insegurança'

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/TV Vanguarda
Durante a entrevista, casal preferiu não mostrar o rosto e não se identificar

Uma moradora de 37 anos relata invasão em prédio de luxo em São José dos Campos. Ela e o namorado, de 41 anos, foram entrevistados pela TV Vanguarda e relataram muita insegurança.

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Os dois estavam em um apartamento, no 3º andar, em um prédio de luxo na região da avenida Eduardo Cury, no Jardim das Colinas. Durante a entrevista, eles preferiram não mostrar o rosto e não se identificar.

O suspeito, de 44 anos, mora no quarto andar do mesmo prédio. A moradora vive no terceiro andar há seis anos. Segundo apuração, o suspeito teve o contrato de locação rescindido a pedido do proprietário do imóvel, que mora fora do Brasil, por quebra de conduta.

O caso é um desdobramento da ocorrência revelada sobre o “Homem-Aranha” que teria usado uma “teresa” para invadir um apartamento em condomínio de luxo em São José dos Campos. O suspeito também passou a ser investigado por crime de stalking.

Cachorros latiram após invasão

Em entrevista à TV Vanguarda, o casal contou que dormia quando os dois cachorros começaram a latir durante a madrugada. O namorado da vítima relatou que o casal havia ido dormir por volta das 22h e que, por volta das 3h, um dos cães começou a dar sinais de alerta.

Inicialmente, ele pensou que o animal estivesse apenas agitado. Pouco depois, o cachorro maior, que estava em cima da cama, passou a latir em direção à porta do banheiro da suíte. Ao olhar para o local, o casal viu uma pessoa dentro do banheiro.

Segundo o relato dado à TV, o namorado avisou a vítima: “Tem alguém aqui dentro, corre”. Em seguida, ele foi até a porta do banheiro e reconheceu o vizinho.

O namorado contou que tentou impedir a saída do suspeito pela porta do banheiro. Os dois teriam empurrado a porta em sentidos opostos, até que o homem conseguiu trancá-la por dentro.

Mulher gritou para alertar vizinhos

Sem saber por onde o suspeito havia entrado no imóvel, o namorado foi até a sala, enquanto a moradora gritava pela janela para alertar vizinhos. Depois, ele voltou à varanda e viu o suspeito saindo pela janela do banheiro do apartamento invadido.

De acordo com o relato, o homem acessou a janela do próprio banheiro, no andar de cima, com auxílio de um lençol, entrou no apartamento dele e recolheu o tecido.

A moradora disse à TV Vanguarda que se sente insegura e está abalada. Ela afirmou que não esperava enfrentar uma situação dentro do próprio condomínio, onde vive há seis anos.

Segundo a vítima, a janela do banheiro ainda estava arrombada, e ela decidiu sair de casa depois de encontrar o suspeito novamente no prédio, no dia em que registrou o boletim de ocorrência. Ela disse que pretende manter distância do local até que medidas legais sejam adotadas.

A mulher relatou ainda que havia desentendimentos anteriores com o vizinho por causa de barulhos e perturbações no condomínio. Segundo ela, depois que formalizou reclamações à administração, passou a sentir intimidações em encontros no elevador e em áreas comuns.

‘Homem-Aranha’ é investigado

O suspeito é investigado por violação de domicílio e pelo crime de stalker, também chamado de stalking ou crime de perseguição. O casal esteve na CPJ (Central de Polícia Judiciária), e o delegado entendeu que há elementos para apuração de perseguição.

A Polícia Civil representou à Justiça por medidas cautelares. A decisão sobre eventuais restrições contra o suspeito ainda cabe ao Poder Judiciário. Até a última atualização, a Justiça ainda não havia se manifestado.

O crime de stalker é o nome popular do crime de perseguição. No Brasil, ele está previsto no artigo 147-A do Código Penal. A conduta ocorre quando alguém persegue outra pessoa de forma reiterada, por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica, restringindo a liberdade de locomoção ou invadindo e perturbando a privacidade da vítima.

Na prática, stalking pode envolver aproximações insistentes, monitoramento, intimidação, contatos repetidos, aparições em locais frequentados pela vítima, mensagens, ligações ou outras ações que causem medo, insegurança ou perturbação. A investigação deve apurar se as condutas atribuídas ao suspeito foram repetidas e se configuram perseguição.

Suspeito ficou em silêncio

Depois da invasão, o suspeito foi localizado em uma rua próxima ao condomínio por familiares da vítima. Ele foi rendido e levado para a delegacia.

Segundo o relato exibido pela TV Vanguarda, o homem preferiu ficar em silêncio durante o depoimento. O namorado da moradora contou que, ao confrontar o suspeito, ele não teria negado a invasão, mas repetido que estaria sendo ameaçado.

O suspeito alugava um apartamento no quarto andar do prédio de luxo. A pedido do proprietário do imóvel, que mora fora do Brasil, o contrato será cancelado por quebra de conduta.

O morador foi notificado e esteve no prédio para retirar pertences. A rescisão contratual é uma medida privada da locação. Já as medidas cautelares pedidas pela Polícia Civil dependem de decisão judicial.