09 de maio de 2026
NOTA DA UNIVERSIDADE

Unesp reconhece ‘gravidade’ dos casos de assédio e abuso em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Xandu Alves/OVALE
Protesto de estudantes na Unesp em São José dos Campos

Em nota divulgada nas redes sociais, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) reconheceu a “gravidade” dos casos de assédio e violência relatados por estudantes do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp, campus de São José dos Campos.

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A estudante Carolina Ferreira, 21 anos, acusa um professor da Unesp de São José dos Campos de estupro. O caso foi revelado por OVALE e ganhou repercussão nacional. Segundo ela, o crime ocorreu em 2023, quando ela tinha 18 anos. A dor a levou a deixar a universidade e adiar o sonho de ser dentista.

No comunicado, a Unesp disse que compreende a “indignação dos comentários postados em nossos perfis oficiais nas redes”. A universidade lembra nota anterior e diz que “já foram tomadas as medidas cabíveis em relação a esses casos”.

“A partir das manifestações protocoladas na Ouvidoria da Unesp, dois procedimentos de apuração preliminar já foram instaurados, com o consequente afastamento de dois docentes citados nas denúncias”, diz a nota.

'Respeito ao devido processo legal'

A Unesp destaca no comunicado a necessidade de “se acatar um princípio básico do estado de direito, que é assegurar o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa no âmbito da averiguação da conduta de servidores públicos”.

“Reiteramos o repúdio a qualquer forma de assédio e violência e reafirmamos o compromisso com a promoção de um espaço acadêmico  seguro, respeitoso e acolhedor. E solidarizamo-nos com todas as pessoas que possam ter vivenciado situações de desrespeito e abuso”, afirma.

“Cabe lembrar que as denúncias precisam ser formalizadas por meio da Ouvidoria Geral ou das Ouvidorias Locais da Unesp, para que a Universidade proceda aos devidos ritos legais de apuração. Prezamos ainda pela manutenção de um ambiente cidadão e responsável no debate público, em conformidade com nossa política de uso das redes sociais”, completa a universidade.

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Denúncia gerou mobilização

A denúncia de violência sexual feita por Carolina mobilizou centenas de estudantes da Unesp de São José dos Campos, que se reuniram no dia 4 de maio para prestar solidariedade à estudante e cobrar a universidade para pôr fim aos casos de assédio e abuso.

O caso também ganhou repercussão nacional, com ofícios encaminhados por parlamentares federais e estaduais cobrando apuração e rigor na punição por parte da Unesp.

Após a denúncia, outras estudantes passaram a relatar episódios de assédio, ampliando o debate sobre segurança no ambiente universitário.

Relato emocionante

Em outro vídeo, Carolina voltou a descrever o episódio que diz ter ocorrido em 2023, quando tinha 18 anos. Segundo ela, o crime aconteceu após aceitar uma carona oferecida por um professor, que não teve o nome mencionado.

A jovem, à época, morava em Taubaté e estudava em São José. Segundo o relato, uma noite, na saída da faculdade, o professor teria oferecido uma carona e ela entrou no carro. “Eu nem sei como cheguei em casa. Cheguei com as roupas todas rasgadas e toda machucada. Eu não conseguia falar com a minha mãe, só chorava”, relatou.

Ameaças e abandono da graduação

Após o episódio, a estudante afirma que passou a sofrer ameaças dentro do ambiente universitário. De acordo com o relato, o professor teria mostrado fotos de sua família e insinuado consequências caso a denúncia fosse formalizada.

O trauma, aliado ao medo, levou ao abandono do curso de odontologia. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, disse. Carolina registrou um boletim de ocorrência, após sofrer novas ameaças.

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Unesp afasta dois professores

A direção do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp, campus de São José dos Campos, informou que dois docentes citados em relatos de assédio foram afastados das atividades acadêmicas por 30 dias. O prazo poderá ser prorrogado, conforme o avanço das apurações.

A medida foi divulgada em nota oficial da universidade, após a repercussão de denúncias envolvendo situações de assédio e abuso no ambiente acadêmico.

Ainda segundo a universidade, todos os casos devidamente registrados são apurados conforme as normas institucionais e a legislação vigente. A direção ressaltou, no entanto, que sem a formalização da denúncia, a instituição não dispõe de meios para investigar oficialmente os episódios narrados.