Uma nova denúncia foi encaminhada à Corregedoria da Polícia Militar contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso e acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.
O oficial, que é nascido em Taubaté e foi preso em São José dos Campos, agora também é investigado por suposto assédio sexual e moral contra uma policial militar subordinada da corporação.
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A denúncia foi protocolada no último dia 30 de abril e aponta que as investidas do oficial continuaram mesmo após a morte de Gisele, registrada em 18 de fevereiro deste ano, em São Paulo.
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Segundo o relato apresentado pela defesa da policial militar Rariane Caroline, o tenente-coronel enviava mensagens insistentes, fazia convites pessoais e pressionava a soldado dentro do ambiente de trabalho, onde ambos atuavam no 49º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano.
O caso ganhou ainda mais repercussão após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que determinou que Geraldo Leite Rosa Neto seja julgado pela Justiça comum, e não pela Justiça Militar. O oficial responderá por feminicídio e fraude processual perante o Tribunal do Júri.
De acordo com a denúncia, apenas 14 dias após a morte da esposa, o tenente-coronel voltou a procurar a soldado Rariane Caroline.
O contato teria ocorrido em 4 de março, quando o oficial tentou conversar com a policial para explicar a investigação sobre a morte de Gisele -- caso no qual ele já figurava como principal suspeito.
Segundo a defesa da soldado, ela pediu que o coronel a deixasse em paz e afirmou estar sofrendo dentro da corporação após rumores de que seria amante do oficial. Mesmo após a negativa, o militar teria continuado enviando mensagens e insistindo no contato.
Em um dos trechos da denúncia, a policial afirma que passou a ter medo do comportamento do comandante após a morte de Gisele.
Ainda segundo o documento encaminhado à Corregedoria da PM, as abordagens começaram com elogios profissionais, mas passaram a assumir caráter pessoal e insistente ao longo dos meses.
A denúncia aponta que o oficial comentava sobre aparência física, fardamento e vida pessoal da soldado.
Conforme o relato, a partir de agosto de 2025 as mensagens ficaram mais explícitas. O coronel teria dito que “queria ela pra ele”, desejava manter “algo em off” e chegou a afirmar que “queria beijar sua boca”.
Em outro episódio descrito na denúncia, o oficial teria ido até o prédio onde a soldado morava levando um buquê de flores, deixando o presente na portaria após não conseguir contato direto.
O tenente-coronelé réu por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana.
Segundo o Ministério Público, ele matou Gisele com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal morava, na região do Brás, em São Paulo, e depois alterou a cena do crime para simular suicídio.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio consumado. Porém, o avanço das perícias e a reconstituição da dinâmica do disparo levaram a Polícia Civil a concluir que a versão apresentada pelo oficial não era compatível com os vestígios encontrados no imóvel.
Com isso, a Justiça decretou a prisão preventiva do tenente-coronel, preso em março deste ano em um condomínio residencial de São José dos Campos.
O STJ decidiu que o processo será conduzido pela 5ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a Corte, crimes dolosos contra a vida sem relação direta com atividade militar devem ser julgados pela Justiça comum.
As investigações do Ministério Público revelaram mensagens consideradas centrais para a denúncia de feminicídio.
Conversas extraídas do celular do oficial apontariam um padrão de comportamento descrito pela Promotoria como controlador e autoritário.
Em diálogos anexados ao processo, o coronel se autodenomina “rei” e “macho alfa”, além de afirmar esperar uma mulher “obediente e submissa”.
De acordo com a investigação, Gisele manifestou o desejo de se separar dias antes de morrer. Há também relatos de agressões físicas anteriores.
A defesa do tenente-coronel afirma que a morte de Gisele não foi feminicídio, mas suicídio.
Em manifestação, o advogado do oficial declarou que a tese será demonstrada ao longo do processo judicial.
“Não se trata de feminicídio, não se trata de fraude processual. Trata-se de suicídio, independentemente da conclusão do inquérito policial”, afirmou a defesa.