04 de maio de 2026
NOVA DENÚNCIA

‘Ponta do iceberg’, diz dentista sobre assédio na Unesp em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Vídeo gravado pela cirurgiã-dentista e perita judicial Bárbara Hatje

Após OVALE revelar denúncia de aluna da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de São José dos Campos, que afirma ter sido estuprada por um professor da instituição em 2023, uma dentista formada na instituição disse que a denúncia da aluna “não é um caso isolado” e que representa “a ponta do iceberg”.

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A declaração é da cirurgiã-dentista e perita judicial Bárbara Hatje, ex-estudante da universidade, que divulgou um vídeo em suas redes sociais tornando público situações que afirma ter vivido durante o período em que frequentava o curso.

“Tentei resumir ao máximo, mas não é um caso isolado. Hoje estou formada, não preciso e nem tenho mais qualquer desejo de retornar à instituição, e por isso hoje me sinto segura em dizer que a faculdade dos meus sonhos não é um lugar seguro”, disse Bárbara na publicação.

“Lamento por todas nós e queremos que isso acabe para sempre. O buraco lá é bem mais embaixo, e essa é a ponta do iceberg”, completou a profissional.

Abalo emocional

No vídeo, a dentista afirma que decidiu falar sobre seu caso após anos lidando com as consequências emocionais. “Demorei muito tempo para entender o que aconteceu comigo. E mais ainda para ter coragem de falar”.

No depoimento, Bárbara descreve um episódio ocorrido dentro de um laboratório, durante uma aula, com outros alunos presentes. Segundo ela, o momento foi marcado por abuso por parte de um professor.

“Isso aconteceu durante uma aula, uma sala cheia. Pela sorte tinha uma amiga do meu lado que viu toda essa cena. Em resumo, esse professor colocou a mão dentro da minha calça. Sem qualquer embasamento ou motivo”, relata a dentista no vídeo.

Silêncio e medo

Ela afirma que, na ocasião, ficou sem reação e que só conseguiu compreender a gravidade da situação com o tempo. Segundo o relato, o ambiente acadêmico era marcado por medo e silêncio, o que dificultava a denúncia.

Ainda de acordo com Bárbara, após o episódio, o mesmo professor teria passado a persegui-la academicamente, ameaçando reprová-la caso não frequentasse atividades sob sua supervisão.

Ela também relata outros episódios de assédio e abuso de poder ao longo da graduação e da pós-graduação, o que teria contribuído para o desenvolvimento de crises emocionais e, posteriormente, para o abandono do curso de mestrado.

“O que mais dói não é só o que aconteceu, mas o fato de ninguém fazer nada. O silêncio também machuca”, disse.

Primeiro caso

A denúncia de Bárbara surgiu dias após outro caso envolvendo a mesma instituição. A estudante Carolina Ferreira, de 21 anos, relatou ter sido vítima de estupro por um professor em 2023, quando tinha 18 anos. Segundo ela, o crime teria ocorrido após aceitar uma carona oferecida pelo docente.

Carolina afirma ainda que passou a sofrer ameaças após o episódio. “Chegou a mostrar fotos da minha família no celular dele, dizendo que sabia quem eram e que, se eu falasse alguma coisa, teria consequências”, relatou.

De acordo com a estudante, o trauma teve impacto profundo em sua saúde física e emocional, levando ao abandono do curso. “Chegou um ponto em que eu não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise”, disse.

Leia mais: Aluna diz que foi ameaçada por professor após estupro em SJC

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O que diz a Unesp

Em nota, a universidade informou que repudia qualquer forma de assédio no ambiente acadêmico e destacou que dispõe de canais institucionais para acolhimento e formalização de denúncias, garantindo sigilo e apuração dos casos.

A repercussão dos relatos tem incentivado outras possíveis vítimas a se manifestarem, ampliando o debate sobre segurança, acolhimento e responsabilização dentro do ambiente universitário. Especialistas reforçam a importância de investigação rigorosa e suporte adequado às vítimas.

Os casos seguem sob atenção e podem ter novos desdobramentos.