01 de maio de 2026
OPINIÃO

Mobilidade sem futuro? SJC precisa decidir agora o caminho a 2050

Por Senna | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Vereador pelo PL em São José dos Campos
CMSJC
Vereador Senna

São José dos Campos sempre foi referência em planejamento. Tivemos gestores que olharam décadas à frente e desenharam uma cidade com base em infraestrutura e organização. O anel viário, concebido ainda na gestão do prefeito Sobral, nos anos 70, é um exemplo claro dessa visão. Até hoje, no entanto, essa obra não foi concluída. O que deveria ser um anel tornou-se, na prática, um semicírculo — um retrato simbólico de um planejamento que ficou pelo caminho.

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Enquanto isso, a cidade cresceu. E cresce cada dia mais rápido.

Bairros planejados como Vista Verde, Urbanova e Jardim Aquarius ajudaram a impulsionar o desenvolvimento urbano. Mais recentemente, novos empreendimentos como o Parque Una surgem com propostas modernas de ocupação, adensamento e integração de serviços. No papel, representam avanço. Na prática, colocam pressão sobre uma infraestrutura que já opera no limite.

O caso do Parque Una é emblemático. Implantado entre regiões já consolidadas como o Jardim Aquarius e o Jardim Alvorada, conectado por eixos viários já saturados como as avenidas Cassiano Ricardo e Via Oeste, o empreendimento prevê, em sua fase final, cerca de 40 mil novos moradores, além de um expressivo polo comercial e de serviços com dezenas de torres. É inevitável a pergunta: como essa demanda será absorvida pelo sistema viário atual? Para onde irão esses fluxos?

Esse cenário não é isolado. Ele revela um ponto central: o crescimento urbano da cidade passou a exigir respostas que, muitas vezes, têm sido pontuais. Intervenções necessárias, sim — mas que acabam sendo paliativas diante de um desafio estrutural maior.

São José possui um Plano Municipal de Mobilidade Urbana instituído em 2016. Um instrumento importante, construído à época com base nos dados e na realidade daquele momento. Passados dez anos, a cidade mudou. Os padrões de deslocamento mudaram. A demanda por transporte mudou. Novas tecnologias surgiram. E, naturalmente, o planejamento precisa acompanhar essa transformação.

Hoje, o município apresenta indicadores e acompanha ações previstas naquele plano. Isso é positivo. Mas acompanhar não é o mesmo que atualizar. Monitorar o passado não substitui o planejamento do futuro.

O transporte público, por exemplo, atravessa um momento que exige atenção. A modernização da frota, com a introdução de ônibus elétricos, representa um avanço importante, mas enfrenta desafios operacionais e prazos que impactam diretamente o sistema. Ao mesmo tempo, contratos seguem sendo ajustados para garantir a continuidade do serviço, o que demonstra a complexidade da transição.

Outros modais também entram no debate. A discussão sobre mototáxis, por exemplo, reflete uma demanda real de mobilidade, especialmente em regiões onde o transporte público não atende plenamente. É um tema que precisa ser tratado com responsabilidade, segurança e planejamento, sem improvisos.

E há ainda o futuro que já bate à porta. A aviação urbana, com projetos como o carro voador em desenvolvimento no país, aponta para uma nova realidade a partir de 2027. Isso exigirá infraestrutura específica, como vertiportos, integração com outros modais e regulamentação adequada. Parece distante, mas não é. Planejamento urbano não se faz para o presente — se faz para o futuro.

É nesse contexto que se insere o debate que proponho à cidade.

Precisamos iniciar, com responsabilidade e visão de longo prazo, a construção de um novo Plano Municipal de Mobilidade Urbana . Um plano atualizado, baseado em dados recentes, que considere o crescimento da cidade, suas novas centralidades, suas demandas reais e suas possibilidades futuras.

Mais do que isso, defendo que esse processo seja conduzido com o apoio de uma equipe técnica multidisciplinar, com participação de instituições de excelência como o ITA e profissionais de notório saber, garantindo um planejamento qualificado, técnico e independente, à altura da importância que São José dos Campos tem no cenário nacional.

Também é fundamental fortalecer os instrumentos de participação, por meio do Conselho Municipal de Mobilidade, ampliando o diálogo com a sociedade e garantindo que o planejamento reflita as necessidades das pessoas.

Esse é um compromisso que assumo no âmbito da Frente Parlamentar São José 2050 . Pensar a cidade não apenas para hoje, mas para as próximas décadas. Antecipar desafios, organizar o crescimento e garantir qualidade de vida para quem vive aqui.

São José já mostrou, no passado, que sabe planejar. Agora, precisamos retomar essa vocação.

Porque mobilidade não é apenas deslocamento. É desenvolvimento. É oportunidade. É qualidade de vida.

E o futuro da cidade começa com as decisões que tomamos agora.