Uma ex-aluna da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em São José dos Campos denuncia ter sido vítima de estupro cometido por um professor durante o primeiro ano de graduação. O caso foi revelado nesta quarta-feira (29), por meio de um post nas redes sociais.
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No relato, a jovem Carolina Ferreira diz que o sonho de ser dentista "foi interrompido de forma violenta". A OVALE, Carolina contou que o caso aconteceu em 2023, quando tinha 18 anos. A jovem afirma que levou o caso à direção da universidade, mas que houve omissão da instituição.
"Eu entrei na faculdade no curso que eu sempre sonhei e lutei tanto pra conquistar. No meu primeiro ano, esse sonho foi interrompido de forma violenta: eu fui estuprada por um professor", diz a mensagem postada por Carolina.
O nome do professor não é mencionado. A jovem, à época, morava em Taubaté e estudava em São José. Segundo o relato, uma noite, na saída da faculdade, o professor teria oferecido uma carona e ela entrou no carro.
"Na época, eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Hoje eu sei que desenvolvi diversos transtornos ocasionados por isso. Meu cérebro bloqueou memórias, transformando tudo em fragmentos confusos. Enquanto isso, meu corpo respondia: sangramentos, desmaios, sintomas físicos sem explicação, e uma saúde cada vez mais comprometida", completou.
De acordo com o depoimento, mesmo após o episódio, a estudante tentou continuar na faculdade, mas a situação se tornou insustentável. Ela afirma ter sofrido ameaças e, diante do agravamento do quadro emocional, decidiu trancar a matrícula e comunicar o caso à família.
"Chegou um ponto em que eu simplesmente não conseguia mais entrar na faculdade sem entrar em crise. Foi quando eu tranquei minha matrícula e, pela primeira vez, contei aos meus pais. Procuramos a instituição. A resposta foi negligência. Disseram que “nunca houve nada parecido”, contou Carolina.
"Eu não consegui continuar. Abri mão de tudo: do curso que eu amava, da minha trajetória, de oportunidades que eram meu sonho. Muita gente pode se perguntar por que eu não denunciei formalmente. A verdade é que eu não tive forças na época em que havia provas. Eu estava em choque, com medo, tentando apenas sobreviver. Hoje, restaria apenas a minha palavra contra a de um professor conceituado", afirmou a estudante.
Carolina afirmou que "não quer que nenhuma outra menina passe" pelo que ela passou. "Não aceito que o sonho de outras pessoas seja destruído como o meu foi", diz o relato.
A Associação Atlética Acadêmica Cervantes Jardim divulgou uma nota de repúdio diante das denúncias, classificando os relatos como "graves e inaceitáveis" no ambiente universitário. A entidade afirmou que situações de assédio e violência não podem ser ignoradas e reforçou a necessidade de posicionamento firme por parte das instituições.
No texto, a Atlética destaca que o espaço acadêmico deve ser seguro, pautado pelo respeito e livre de qualquer forma de intimidação ou silenciamento. A nota também critica a tolerância e a negligência diante de casos dessa natureza, alertando para a perpetuação de um ciclo de violência quando não há resposta adequada.
A entidade ainda manifestou solidariedade às vítimas e cobrou medidas efetivas, como acolhimento, apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos. Segundo a Atlética, é fundamental que toda a comunidade acadêmica se comprometa com a construção de um ambiente mais seguro, justo e respeitoso.
Após a repercussão do caso, outra estudante também afirmou ter sido vítima de assédio por parte de um professor da mesma unidade recentemente. Ela relata que buscou medidas junto à direção, mas não houve providências efetivas.
"Não é de hoje que sofremos esse tipo de violência na faculdade. Eu mesma fui assediada por um professor semana passada. Fiz tudo possível para tomarem uma atitude, mas a direção é omissa quanto a isso", diz o relato de uma aluna a OVALE.
Até o momento, não há confirmação de investigação formal sobre o caso pelos órgãos competentes. A vítima afirma que não registrou denúncia à época por não ter condições emocionais e por medo de represálias.
A reportagem procurou a Unesp para comentar as acusações. Até a última atualização desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.