29 de abril de 2026
WELLER GONÇALVES

Dia Internacional dos Trabalhadores é data de luta, não de festa

Por Weller Gonçalves | Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, e dirigente do PSTU.
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Dia Internacional dos Trabalhadores é data de luta, não de festa

Mais um 1º de Maio se aproxima em meio a ataques de governos e grandes empresários às reivindicações da classe trabalhadora. No Brasil, a data reforça a urgência de combater a retirada de direitos, com destaque para a luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário, contra a pejotização e precarização e por melhores salários e condições de trabalho.

A origem do 1º de Maio remonta à greve geral de 1886, em Chicago (EUA), quando operários enfrentavam jornadas exaustivas de até 14 horas diárias e foram brutalmente reprimidos. Após o episódio da praça Haymarket, que deixou mortos e resultou na execução de dirigentes do movimento – os “Mártires de Chicago” –, a data consolidou-se como um marco histórico da luta por direitos, especialmente pela jornada de oito horas diárias.

Hoje, no Brasil, o cenário repete velhos discursos patronais que tratam a redução da jornada como ameaça econômica. A grande mídia, setores políticos e o empresariado atuam contra a mobilização, difundindo o medo do desemprego para proteger seus lucros. Não podemos criar ilusões de que os governos vão resolver os nossos problemas. Nossas conquistas vêm da nossa luta.

Esse contexto se conecta com o avanço de políticas ultraliberais em outros países. Na Argentina, as recentes reformas implementadas pelo governo de Javier Milei aprofundam a flexibilização trabalhista, atacam direitos históricos e enfraquecem organizações sindicais, sob o argumento de “modernização” da economia. Na prática, essas medidas ampliam a precarização e servem de alerta para trabalhadores de toda a América Latina.

Diante disso, o movimento sindical enfrenta o desafio de organizar não apenas trabalhadores formais, mas também informais, “PJ”, uberizados, estudantes e setores oprimidos. No Vale do Paraíba, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SindmetalSJC) se destaca por sua atuação independente e classista, em contraste com centrais sindicais, como a CUT e a Força Sindical, que não organizam a luta direta da classe trabalhadora por estarem atreladas ao governo federal. Para o Sindicato, é um princípio a independência de classes diante dos patrões e dos governos.

Infelizmente, a maioria dos sindicatos e centrais sindicais do nosso país celebra o 1º de Maio com “ato-show” despolitizado, que não educa a classe trabalhadora sobre a importância da data.

Filiado à CSP-Conlutas, o SindmetalSJC defende pautas como a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salário, o fim da escala 6x1, da terceirização e da pejotização, além da revogação das reformas trabalhista e previdenciária. Sua atuação resgata o espírito combativo das lutas operárias históricas.

Um exemplo recente dessa resistência é a vitória dos trabalhadores da Avibras, que, após quatro anos de mobilização e 1.280 dias de greve, conquistaram o pagamento de dívidas trabalhistas e a retomada da fábrica em Jacareí, sem apoio efetivo dos governos. Nem Bolsonaro nem Lula socorreram esses metalúrgicos, mesmo após inúmeros pedidos do Sindicato.

Lembramos, ainda, que a luta da classe trabalhadora vai para além do local de trabalho: envolve a construção de uma sociedade mais justa, enfrentando desigualdades que atingem mulheres, negros, população LGBT+, povos originários e os mais pobres.

É uma batalha que engloba o combate ao feminicídio, à misoginia, à morte de negros e pobres, à fome, à grilagem de terras, à transfobia e LGBTfobia e a todas as opressões.

Cabe aos sindicatos fortalecer a consciência política dos trabalhadores, enfrentar a exploração do sistema capitalista, defendendo a distribuição de riquezas e uma transformação social profunda, e lutar por uma sociedade socialista.

Viva a luta dos trabalhadores!