Até parece história de cinema.
Há sofrimento, drama e uma incansável batalha por manter viva a paixão entre dois moradores de São José dos Campos.
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Prestes a completar 72 anos, Augusto Pires vive há mais de 30 anos com Maria dos Prazeres Gomes da Silva, 67 anos. Ambos têm filhos de relacionamentos anteriores e resolveram viver juntos até que a morte os separasse. Mas não foi ela quem os afastou.
Maria sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) há sete anos que trouxe complicações à saúde. Mesmo assim, ela vinha vivendo bem com o marido. Acontece que a saúde se complicou e ela acabou internada, no começo deste ano, na Casa de Repouso Nosso Lar, no Jardim Jussara, na região central de São José. A unidade é conveniada da Prefeitura.
Desde a internação, Augusto só consegue ver a mulher nos horários de visita da casa, normalmente às terças-feiras, das 10h às 11h, e às quintas, das 14h às 15h.
“Depois eu não posso ficar mais, não posso. Então, são só dois dias da semana. É o regulamento deles”, disse Augusto.
Segundo ele, o pouco tempo que pode ficar ao lado da amada o está castigando, deixando-o triste e desencantado, mas ainda disposto a lutar para viver ao lado de Maria. O que ele quer é mudar-se para a Casa de Repouso e passar todo o tempo ao lado da mulher.
“Isso arrebentou comigo, eu estou na base de remédio, não estou comendo. Isso é realidade que eu estou passando. Eu assusto de madrugada, estou dormindo pouco, emagreci”, contou Augusto.
“Minha vida não tem sentido aqui. Não tem dinheiro, não tem casa, não tem nada que me faça viver sem estar perto da minha amada. Não tem sentido”, disse Augusto.
Emocionado, o idoso fala em viver “o resto da vida” ao lado de Maria, independente da condição de saúde dela. “Vou cuidar dela. Eu a amo de todo o meu coração”, disse.
Augusto disse que já procurou a direção da Casa de Repouso e o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) da Prefeitura de São José, que é a gestora do serviço.
A orientação que recebeu é de esperar pela vaga na unidade, que atende idosos em situação de vulnerabilidade e com a saúde debilitada.
“Tem que esperar, e é tudo que estão fazendo. Mas não me dão resposta. Dizem que eu tenho direito, que vão me colocar lá, mas que tem muita prioridade. Mas só que tem tanta vaga lá, eu estou vendo”, disse Augusto.
OVALE procurou a direção da Casa de Repouso, que explicou que a gestora do serviço é a Prefeitura de São José dos Campos. A instituição informou que atende a demanda do município e que as vagas são, de fato, definidas pela prioridade dos atendidos.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Apoio Social ao Cidadão de São José informou que Augusto Pires não atende os critérios técnicos definidos para moradia em ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos), que são ter os direitos violados ou enfrentar risco social.
Além disto, ele possui autonomia e retaguarda familiar que lhe garantem moradia, completou a pasta.