24 de abril de 2026
APÓS DORES INTENSAS

Adolescente expulsa gaze esquecida após cirurgia em Caçapava

Por Xandu Alves | Caçapava
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
Gaze retirada de dentro do adolescente

Um adolescente de 16 anos expeliu uma gaze que havia sido esquecida dentro dele durante uma cirurgia realizada há mais de um ano, em Caçapava. O caso aconteceu no Hospital Fusam (Fundação de Saúde e Assistência do Município de Caçapava), para onde ele foi levado nesta quarta-feira (22) para retirar a gaze inteira de dentro do organismo.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Segundo a família, o jovem tinha 15 anos, em 29 de dezembro de 2024, quando foi baleado numa ocorrência em que morreu a irmã dele, Rayane Cristina Dantas, na época com 19 anos. Ela foi assassinada no bairro Pinus do Iriguassu 1, em Caçapava. O jovem também foi baleado, mas sobreviveu.

O adolescente levou um tiro no abdômen e passou por cirurgia logo após o crime. Desde então, segundo a família, ele sente desconforto e dores na região da barriga, além de ter que usar uma bolsa de colostomia.

Dores se intensificaram

No entanto, as dores se intensificaram há dois meses e, nesta quarta-feira (22), ele começou a expelir um pedaço da gaze que foi deixada dentro dele, como afirma a família, que aponta negligência no caso. A gaze só foi inteiramente tirada após ele ser levado ao Hospital Fusam.

“Ele sentia dores e desconforto há um ano. Há dois meses, essa dor aumentou muito, indo e vindo. Hoje de manhã ele estava sentindo dores e a gaze saiu para fora. Levamos ao pronto-socorro da Fusam. O médico tirou e era uma gaze inteira”, disse uma tia do adolescente.

Boletim de ocorrência

Segundo ela, a família vai registrar um boletim de ocorrência sobre o caso e procurar a justiça para processar o hospital.

“Não se esquece uma gaze dentro de uma pessoa. Ele sentiu muitas dores. Na época da cirurgia, ele operou em um domingo, às 5h30, e na quarta-feira seguinte o médico deu alta. Não foram nada cuidadosos com o tratamento dele.”

“Ele não conseguiu ir para escola. Ficou quatro meses sem conseguir andar. Bolsa e dores. Ficou traumatizado com o caso”, afirmou ela.

Segundo a tia, o prontuário da cirurgia não traz as informações sobre o que o médico fez no adolescente. “Não entendemos isso. Estamos correndo atrás disso há um ano, pedindo informações”.

Outro lado

Procurado pela reportagem de OVALE, o Hospital Fusam informa que o caso foi devidamente encaminhado para avaliação técnica do prontuário, seguindo os fluxos institucionais de análise assistencial.

"Caso seja identificada necessidade, o material será direcionado às comissões éticas competentes, conforme critérios definidos pela Diretoria Técnica", diz a instituição.

"Ressaltamos que houve ausência do paciente aos acompanhamentos ambulatoriais previamente orientados, no período de seguimento pós-operatório, o que pode ter impactado na continuidade adequada do tratamento. Nesta data, o paciente retornou à unidade para continuidade da assistência."

"Destaca-se que o acompanhamento regular no pós-operatório é fundamental para a identificação precoce de intercorrências, e situações como a relatada poderiam ser avaliadas de forma antecipada caso o seguimento tivesse ocorrido conforme orientado", informa o hospital.

"O Hospital FUSAM reforça seu compromisso com a assistência segura, ética e responsável, mantendo todos os protocolos de qualidade e segurança do paciente, com a devida apuração técnica sempre que necessário, respeitando integralmente o sigilo das informações em saúde", completa a nota.