Se você gosta de moda, provavelmente você lembra do filme O Diabo Veste Prada. Um filme que marcou uma geração de fashionistas e que mostrou que roupa nunca é só roupa.
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Agora 20 anos depois, aguardamos ansiosamente a continuação. E a pergunta que eu faço é: o que será que mudou em relação ao estilo das personagens e principalmente na forma de se posicionar? Porque de lá pra cá não foi só a moda que evoluiu – as mulheres também.
No primeiro filme, o luxo era escancarado. Logo estampados, acessórios marcantes, produções elaboradas. Havia uma construção de imagem baseada no impacto imediato. Bolsas icônicas, óculos oversized, saltos altos imponentes. A mensagem era clara: impactar era essencial. A roupa funcionava como símbolo de conquista e autoridade, especialmente para mulheres que consolidavam seu espaço no ambiente corporativo. A alfaiataria estruturada, as silhuetas bem definidas e os looks quase “intocáveis” reforçavam esse lugar de poder.
Hoje, o cenário é outro, mas sem dúvida isso não é apenas uma mudança estética, ela chega a ser comportamental.
A moda começou a caminhar para uma sofisticação mais silenciosa. Menos logotipo, mais identidade. Menos excesso, mais intenção. O que antes era sobre ser visto, agora não basta mais, você precisa ser entendido, chegando a ser um problema se esse entendimento, essa comunicação não verbal for feita de maneira errada.
Essa mudança diz muito sobre a maturidade não só da indústria, mas das próprias mulheres que consomem e constroem moda. Se no passado a validação vinha do olhar externo, hoje ela nasce, cada vez mais, de dentro.
E é justamente nesse ponto que está minha maior aposta sobre a evolução da personagem Andy - Andrea Sachs. No primeiro filme, ela começa não reconhecendo o impacto da imagem. Via a moda como algo superficial, distante da sua realidade. Ao longo do filme, no entanto, há uma virada. Andy entende que a forma como se apresenta influencia diretamente como é percebida e, consequentemente, as oportunidades que surgem.
Agora no segundo filme aguardo ansiosamente por uma Andy não só bem vestida, mas uma Andy mais consciente. Uma mulher que não usa a moda como fantasia ou armadura, mas como extensão de quem é. Alguém que entende que estilo não é sobre seguir códigos impostos, mas sobre construir uma narrativa própria.
Será que vem aí com o Diabo veste Prada 2 uma mudança no discurso da moda?
Se o primeiro filme falava muito sobre pertencimento, sobre se encaixar em um ambiente exigente, atender expectativas e, de certa forma, se moldar - o momento atual pede outra direção. A moda hoje dialoga com identidade, coerência e verdade. Não se trata mais de agradar, mas de comunicar. De alinhar imagem e intenção – deixando a roupa de ser figurino, passando a ser linguagem.
Isso, com absoluta certeza, não significa ausência de estética ou de cuidado. Pelo contrário. E talvez seja exatamente isso que veremos refletido na nova fase de O Diabo Veste Prada 2. Um olhar mais maduro sobre moda e identidade, sobre moda e personalidade, sobre moda e comunicação. Personagens que já não precisam provar tanto - porque já sabem quem são.
Dito isso, confesso que a minha a grande expectativa não está apenas nas roupas, mas na mensagem. Se antes a moda era usada como ferramenta de impacto, agora ela se consolida como instrumento de consciência. Ou como está escrito na minha bio do Instagram “moda como ferramenta de comunicação e autoestima”
Porque, no final, estilo nunca foi sobre impressionar. Sempre foi e talvez agora mais do que nunca - sobre representar.