Em meio à falta de fórmulas especiais para crianças com APLV (Alergia à Proteína do Leite de Vaca) na Farmácia de Alto Custo, em Franca, um anúncio de venda do produto nas redes sociais tem gerado revolta entre mães que dependem do fornecimento público.
A publicação, feita há cerca de 22 horas por uma usuária no Facebook Marketplace, oferece 10 latas da fórmula Neocate LCP, de 400 gramas cada, pelo valor total de R$ 1.200. No anúncio, a vendedora destaca que o preço seria inferior ao praticado em farmácias, onde cada unidade pode ultrapassar R$ 300.
O que chama a atenção das famílias, no entanto, é que o próprio rótulo do produto indica “venda proibida pelo comércio”, já que a fórmula é destinada a necessidades dietoterápicas específicas e, em muitos casos, é fornecida pelo sistema público de saúde mediante prescrição médica.
Para mães que enfrentam a escassez do leite, a situação é vista como um possível desvio de finalidade. “Enquanto tem criança sem leite, tem gente vendendo. É revoltante”, afirma uma mãe ouvida pela reportagem.
Segundo ela, há diferentes hipóteses para a origem dos produtos anunciados: desde sobras de tratamento até possíveis retiradas indevidas do sistema público. “Pode ser que a criança não use mais, que tenha melhorado ou que tenha sobrado. Mas, mesmo assim, está escrito na lata que é proibida a venda”, questiona.
A mesma mãe relata que, recentemente, enfrentou dificuldades para conseguir o alimento do filho, que depende exclusivamente da fórmula especial para se alimentar. Sem estoque na Farmácia de Alto Custo e sem condições de arcar com os altos preços nas farmácias, ela precisou recorrer à doação de outras famílias.
Além disso, esse tipo de produto exige controle rigoroso, já que seu uso é indicado apenas com acompanhamento médico, devido às necessidades específicas das crianças atendidas.
Enquanto isso, famílias seguem enfrentando dificuldades para garantir o básico. “A gente luta para conseguir alimentar nossos filhos, e ainda vê esse tipo de situação acontecendo”, desabafa a mãe.