17 de abril de 2026
ENDIVIDAMENTO

Segundo o Serasa, Jundiaí tem mais de 153,7 mil inadimplentes

Por Felipe Torezim | Jornal de Jundiaí
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação: Shutterstock
Facilidades como cartão de crédito ajudam a aumentar endividamento familiar

Segundo dados do Serasa, obtidos com exclusividade pelo Jornal de Jundiaí, o município contabiliza atualmente 153.776 pessoas inadimplentes. Ao todo, o número de dívidas acumuladas é 660.659 que somam mais de R$ 1,33 bilhão. O valor médio devido por consumidor chega a R$ 8,6 mil. Não há levantamento municipal dos segmentos da dívida, segundo a entidade.

Para o economista Messias Mercadante, a realidade de Jundiaí não difere do restante do país. Em março, o percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4%, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

“Jundiaí não é diferente do Brasil. As pessoas não têm educação financeira para gerir as próprias finanças e planejar o orçamento. Além disso, a facilidade de obter créditos e o estímulo ao consumo são muito grandes no país”, afirma.

Segundo ele, mecanismos como crédito consignado e uso de cartão de crédito contribuem para o aumento das dívidas. “As pessoas não sentem o peso na hora de gastar e, quando percebem, já estão sobrecarregadas. No caso dos cartões de crédito, os juros são altíssimos, acima de 400% ao ano em alguns casos, o que torna a dívida praticamente impagável”, explica.

O economista orienta que consumidores analisem a natureza das dívidas e busquem alternativas mais sustentáveis. “Se for cartão de crédito ou cheque especial, é possível migrar para linhas com juros menores e alongar o pagamento de forma a caber no orçamento e assim a pessoa quitar as dívidas, mas é fundamental evitar novas dívidas neste período”, salienta.

Messias ainda afirma que as pessoas precisam de um bom planejamento do orçamento. “É necessário saber qual é a renda, pagar as despesas básicas, como água, luz, telefone, alimentação, moradia, entre outros, de forma que os gastos não superem o que foi arrecadado. E o mais importante é ter disciplina com o dinheiro”, afirma.

O Governo Federal tem estudado medidas para enfrentar o problema, entre elas, a criação de um novo programa inspirado no Desenrola Brasil, além da possibilidade de utilização do FGTS para refinanciamento ou quitação de dívidas, com o objetivo de ampliar as alternativas de negociação e aliviar o endividamento das famílias.