Formado em Direito e Ciências Sociais na Unitau (Universidade de Taubaté), o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior, foi demitido nesta segunda-feira (13). Ele será substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Viana. Waller estava à frente do órgão havia menos de um ano.
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O desligamento foi comunicado pelo Ministério da Previdência. Em nota, o ministro Wolney Queiroz agradeceu a Waller pela contribuição e destacou a estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto.
"Ela [Ana Cristina Viana] tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás", afirmou o ministro.
Waller foi pego de surpresa. Oficialmente, o governo disse que é uma troca prevista, mas pessoas próximas ao agora ex-presidente negam. Servidores contam que foram recebidos nesta manhã com a notícia, embora não houvesse nenhuma conversa interna de que ele deixaria o cargo.
O Ministério da Previdência disse que a troca foi técnica. Com perfil corregedor, Waller assumiu o instituto em meio a um escândalo para "moralizar" o órgão, restituir o dinheiro e encontrar possíveis novas fraudes — o que, diz o governo, ele fez muito bem.
Agora, é hora de resolver a fila, diz a Previdência. Com uma "visão sistêmica" de Ana Cristina, o ministério afirma que a seleção é baseada na compreensão do fluxo previdenciário "desde o atendimento nas agências até a fase recursal". Com isso, o INSS planeja reduzir o tempo de espera e a qualidade do atendimento aos segurados.
Ana Cristina Viana é servidora de carreira do INSS desde 2003. Ela deixa o posto de analista do seguro social para comandar o órgão. Entre 2020 e 2024, atuou como professora de direito previdenciário. Antes, de abril de 2023 até fevereiro de 2026, presidiu o CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social), quando foi nomeada secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência.
Waller assumiu o posto em meio ao escândalo de desvios ilegais no INSS. Ele foi o escolhido para substituir Alessandro Stefanutto, que foi afastado do cargo pela Justiça e depois pediu demissão. Segundo a Polícia Federal, Stefanutto é suspeito de liberar descontos indevidos em benefícios de aposentados. A fraude teria gerado prejuízo de R$ 6,3 bilhões desde 2019.
Ele formou-se em Direito e Ciências Sociais na Unitau, entre 1991 e 1996. É bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais com pós-graduação em Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro. Waller é filho do delegado de polícia Gilberto Waller, que trabalhou em Taubaté.
Ele ingressou no Poder Público como procurador do INSS em 1998, tendo ocupado os cargos de corregedor-geral do INSS de 2001 a 2004 e subprocurador-geral do INSS de 2007 a 2008.
Na Controladoria-Geral da União, ele ocupou a função de ouvidor-geral da União de março de 2016 a janeiro de 2019 e de corregedor-geral da União de 2019 a 2023. Atualmente, ocupava o cargo de corregedor da Procuradoria-Geral Federal, órgão da AGU (Advocacia-Geral da União).
* Com informações do UOL