08 de abril de 2026
INVESTIGAÇÃO

Veja o que se sabe sobre a morte de Ana Paula e Gilmar em Caraguá

Por Da redação | Caraguatatuba
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Polícia Civil de Caraguatatuba investiga a morte de Ana Paula e Gilmar (no detalhe)

A Polícia Civil de Caraguatatuba reúne informações e busca pistas para descobrir o que aconteceu dentro da casa de Ana Paula Antunes da Conceição, 45 anos, e Gilmar Antunes, 42 anos, encontrados mortos na residência na tarde de terça-feira (7).

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Eles moravam na rua Domingos Greca, na Praia das Palmeiras, em Caraguatatuba. Ambos tinham marcas de tiros e foram encontrados mortos na residência, que tinha sinais de desorganização e de luta.

Uma arma de fogo foi encontrada ao lado de Gilmar. O revólver calibre 38 tinha munições usadas e intactas, além de numeração suprimida. O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio.

O imóvel, que fica em um quintal com três casas, foi encontrado preservado e fechado até a chegada das equipes policiais.

A porta estava apenas encostada, sem sinais de arrombamento, mas não abria totalmente porque havia algo obstruindo pelo lado de dentro. Havia muitas moscas no local e sangue escorrendo pela parte inferior da porta.

No interior da residência, Ana Paula foi localizada perto da entrada. Gilmar estava um pouco mais distante, no meio da sala. O boletim afirma que ambos já estavam em avançado estado de decomposição.

Tiros no casal

Ana Paula tinha uma marca de tiro no abdômen, enquanto Gilmar foi atingido na cabeça. Pelo testemunho de vizinhos, que ouviram disparos na noite de domingo (5), entre 19h e 21h, suspeita-se que o casal estivesse morto há mais de 24h quando foi encontrado.

A cena descrita no boletim de ocorrência indica uma casa desorganizada, com luzes acesas e televisão ligada. No banheiro, os policiais anotaram indícios de possível luta. Havia um frasco de perfume quebrado sobre o vaso sanitário, a torneira estava aberta e a tampa do perfume estava do lado de fora, o que reforçou a percepção de desordem anterior às mortes. Não foram encontrados projéteis nas paredes nem em outros objetos do imóvel.

O proprietário do imóvel disse à polícia que viu o casal vivo pela última vez no domingo (5), por volta das 15h, e afirmou que ambos aparentavam estar em harmonia.

Apreensão de celulares

Na apuração, a polícia também registrou que a chave da casa estava do lado de dentro da porta, sem sinais de arrombamento. O celular de Ana Paula foi apreendido no local. O telefone de Gilmar apareceu mais tarde, encontrado pelo perito criminal na cueca da própria vítima, segundo a segunda edição do boletim.

Houve ainda pedido para exame residuográfico nas mãos e braços das duas vítimas, além de coleta de material genético na arma e nas mãos de ambos.

Embora o boletim já classifique o caso como feminicídio seguido de suicídio, a conclusão final da dinâmica depende dos laudos da perícia e do IML (Instituto Médico Legal).

Familiares também foram ouvidos. A prima de Ana Paula disse que o relacionamento era visto como harmonicamente estável, com discussões comuns de convivência. Já a filha adolescente de Gilmar, segundo relato da mãe dela, teria ouvido do pai que ele vinha sofrendo ameaças e, por isso, havia se afastado temporariamente da cidade.

Esse contexto pode ganhar peso na linha investigativa, embora o boletim não aponte, por enquanto, participação formal de terceiros.