Uma mulher de 45 anos e um homem de 42 anos foram encontrados mortos, na tarde de terça-feira (7), dentro de uma casa na rua Domingos Greca, na Praia das Palmeiras, em Caraguatatuba.
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A Polícia Civil localizou os corpos com marcas de tiros, uma arma de fogo ao lado do homem e sinais de que os disparos podem ter ocorrido ainda no domingo à noite, em uma ocorrência registrada como feminicídio e suicídio consumados.
Segundo o boletim de ocorrência, as vítimas são Ana Paula Antunes da Conceição e Gilmar Antunes. O imóvel, que ficava em um quintal com três casas, foi encontrado preservado e fechado até a chegada das equipes policiais.
A porta estava apenas encostada, sem sinais de arrombamento, mas não abria totalmente porque havia algo obstruindo pelo lado de dentro. Havia muitas moscas no local e sangue escorrendo pela parte inferior da porta.
No interior da residência, Ana Paula foi localizada perto da entrada. Gilmar estava um pouco mais distante, no meio da sala. O boletim afirma que ambos já estavam em avançado estado de decomposição.
A Polícia Civil descreve um disparo na região direita do abdômen da mulher e um disparo na região direita da cabeça do homem. Próximo ao corpo dele, os peritos encontraram um revólver calibre .38 com numeração suprimida, duas munições intactas e três deflagradas. Também foram achadas outras munições sob um colchão, dentro de uma bolsinha guardada na casa.
A cena descrita no boletim indica uma casa desorganizada, com luzes acesas e televisão ligada. No banheiro, os policiais anotaram indícios de possível luta. Havia um frasco de perfume sobre o vaso sanitário quebrado, a torneira estava aberta e a tampa do perfume estava do lado de fora, o que reforçou a percepção de desordem anterior às mortes. Não foram encontrados projéteis nas paredes nem em outros objetos do imóvel.
O proprietário do imóvel disse à polícia que viu o casal vivo pela última vez no domingo (5), por volta das 15h, e afirmou que ambos aparentavam estar em harmonia.
Já um vizinho relatou que o filho de 11 anos ouviu disparos na noite de domingo, entre 19h e 21h, mas ninguém deu importância naquele momento. Outra vizinha, que mora em frente, confirmou ter ouvido três tiros consecutivos no mesmo intervalo de tempo.
Na apuração, a polícia também registrou que a chave da casa estava do lado de dentro da porta, sem sinais de arrombamento. O celular de Ana Paula foi apreendido no local. O telefone de Gilmar apareceu mais tarde, encontrado pelo perito criminal na cueca da própria vítima, segundo a segunda edição do boletim.
Houve ainda pedido para exame residuográfico nas mãos e braços das duas vítimas, além de coleta de material genético na arma e nas mãos de ambos.
Embora o boletim já classifique o caso como feminicídio e suicídio consumados, a conclusão final da dinâmica depende dos laudos da perícia e do IML (Instituto Médico Legal).
O estado dos corpos, descrito como em fase gasosa e com inchaço acentuado, indica que as mortes teriam ocorrido há mais de 24 horas, possivelmente 48 horas ou mais, sem precisão técnica no registro inicial.
Familiares também foram ouvidos. A prima de Ana Paula disse que o relacionamento era visto como harmonicamente estável, com discussões comuns de convivência. Já a filha adolescente de Gilmar, segundo relato da mãe dela, teria ouvido do pai que ele vinha sofrendo ameaças e, por isso, havia se afastado temporariamente da cidade.
Esse contexto pode ganhar peso na linha investigativa, embora o boletim não aponte, por enquanto, participação formal de terceiros.