A mãe do menino Lucas Matheus, de 12 anos, que morreu em 4 de março, criticou unidade de saúde de Taubaté por suposta “demora e desconhecimento dos sintomas” com relação ao caso do filho, cuja morte chegou a ser apontada por febre amarela. Dias depois, novo laudo descartou a doença como causa do óbito.
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Caso de Lucas foi tratado inicialmente como a primeira morte por febre amarela em Taubaté. De acordo com o município, a reavaliação foi conduzida por instâncias estaduais e federais após solicitação da Vigilância Epidemiológica municipal.
A análise técnica final, feita pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo em conjunto com o Ministério da Saúde, concluiu que o óbito ocorreu por choque séptico, possivelmente de origem pulmonar.
A informação revisa o diagnóstico anterior, que havia apontado febre amarela com base em exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz e confirmados pelo GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) de Taubaté no fim de março.
Segundo a Prefeitura, a causa registrada na declaração de óbito já indicava choque séptico, inicialmente associado à Covid-19, hipótese considerada após familiares do adolescente também apresentarem diagnóstico positivo para a doença no mesmo período.
Após a confirmação inicial de febre amarela, a Prefeitura realizou ações de prevenção, como intensificação da vacinação e busca ativa por pessoas não imunizadas nos bairros Residencial Bardan e Ana Rosa, além de visitas domiciliares e campanhas de orientação.
As medidas foram mantidas durante todo o período de investigação, em articulação com órgãos estaduais e federais de saúde.
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A mãe de Lucas, Cristiane Landim, disse que vai pedir o prontuário do filho para entender o que aconteceu com ele desde que foi atendido na UPA San Marino, em Taubaté. Ela aponta demora e desconhecimento dos sintomas no atendimento.
“No UPA San Marino demorou o tempo de quase 3 horas para fazerem o teste de Covid”, disse ela em postagem nas redes sociais. “Eles não investigaram como devia”.
Em conversa com OVALE nesta sexta-feira (3), Cristiane disse que é “muito doloroso” ver a foto do filho e que o caso continua “cada vez mais fica difícil até pra eu entender”.
Ela apontou “negligência, demora e negação de um leito na UTI”, além de “desconhecimento dos sintomas, a negação de início para emergência no San Marino”.
“Minha revolta é não terem ido mais a fundo nos sintomas e me disseram o tempo todo que desconhecia os sintomas do meu filho”, afirmou.
A mãe disse que pretende entrar com processo na justiça contra a negligência e a demora no atendimento ao filho.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Taubaté informou que a Secretaria de Saúde está instaurando uma sindicância para apuração do caso, junto a Organização Social responsável pela gestão da unidade em questão.
A administração também reforça que tem à disposição dos moradores a Ouvidoria, canal direcionado para questionamentos, sugestões e denúncias, que pode ser acessado também a partir do aplicativo Simplifica Taubaté.