A Unesp (Universidade Estadual Paulista) suspendeu por 30 dias o professor da FEG (Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá) antes da condenação por pedofilia na Justiça Federal. A suspensão ocorreu após processo interno iniciado a pedido do MPF (Ministério Público Federal).
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Em nota enviada a OVALE nesta sexta-feira (27), a universidade informou que, em 2016, o docente vinculado à FEG da Unesp foi alvo de um Processo Administrativo, aberto pela Reitoria, em função do uso indevido de um equipamento da universidade.
O processo se iniciou a pedido do Ministério Público Federal e se encerrou em 12 de março de 2020, dois anos antes da condenação por pedofilia. A Unesp suspendeu o professor por 30 dias, pena máxima possível para um docente em regime de trabalho CLT, ressalvada a pena máxima de demissão.
“Parte da denúncia não pôde ser considerada durante o referido processo administrativo, por força do direito constitucional de presunção de inocência enquanto tramitava o processo apuratório naquele órgão ministerial”, informou a Unesp.
O professor de 43 anos foi condenado em 2022, pela 1ª Vara Federal de Guaratinguetá, por ter armazenado e transmitido, mais de 7.600 vezes, arquivos com conteúdo de vídeo e fotografias contendo cenas de sexo explícito e pornográficas envolvendo crianças e adolescentes.
Segundo a denúncia, ele também armazenou em seus dispositivos eletrônicos, incluindo um computador registrado em nome da Unesp, 7.678 arquivos contendo cenas de pedofilia.
As ações apontadas pela denúncia ocorreram entre 2014 e 2017. A condenação é de agosto de 2022, com o trânsito em julgado em 4 de fevereiro de 2025. Ou seja, sem condição de apelação.
O caso do professor veio à tona nesta semana após alunos realizarem um ato pedindo o afastamento dele das aulas na faculdade de engenharia da FEG. A manifestação estudantil ocorreu nessa quinta-feira (26). O docente segue dando aulas de forma remota na universidade, segundo alunos.
Sobre a condenação por pedofilia, a Unesp disse que, até o momento, “não recebeu informações, quer do Ministério Público Federal, quer da Justiça Federal, quanto aos desdobramentos daquela investigação, sendo que o processo ainda está sob segredo de justiça”.
Na quinta-feira (26), informou a Unesp, a congregação da FEG apreciou um recurso do mesmo docente em função de nova punição de 30 dias de suspensão após a instauração de devido processo administrativo relativo a outra questão acadêmica.
“Por ocasião da reunião do órgão colegiado, vieram à tona, em função de informações não oficiais, denúncias relacionadas ao processo crime instaurado em 2020. Considerando-se que a questão surgiu por ocasião da reunião da congregação, a Assessoria Jurídica da Unesp está empenhada na obtenção das informações oficiais sobre o caso”, completou a universidade.
Procurada pela reportagem, a defesa do professor ainda não retornou o contato. O espaço segue aberto para a manifestação.
Em 10 de março de 2026, a defesa do professor entrou com um pedido na Justiça para que ele passe por avaliação de insanidade mental, em razão de apresentar, segundo o advogado, "quadro de transtorno depressivo maior, atestado por relatório médico-psiquiátrico de profissional especializado",