26 de março de 2026
INDÚSTRIA

Gerdau vai fechar setor em Pinda; sindicato tenta reverter cortes

Por Jesse Nascimento | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Sindmetal Pinda
Assembleia com os trabalhadores em Pindamonhangaba

A discussão sobre o futuro do setor de cilindros da empresa Gerdau, em Pindamonhangaba, ganhou um novo capítulo na segunda-feira (23), com a informação de que a empresa pretende encerrar também o setor de forjados. O anúncio provocou nova mobilização dos trabalhadores e do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba, que voltou a cobrar proposta para preservar os empregos.

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Há cerca de seis meses, os trabalhadores chegaram a entrar em greve quando a empresa anunciou o encerramento das atividades do setor de cilindros. Na época, a pressão conseguiu reduzir parte do impacto. A área de fundidos foi fechada, mas a de forjados permaneceu ativa, com remanejamento interno de empregados e compensações financeiras negociadas.

Agora, segundo o presidente do sindicato, André Oliveira, a empresa comunicou que também pretende encerrar a produção de forjados, mesmo após ter aceitado mantê-la durante esse período de negociação.

“Tem lucro [no setor], só não é a margem que eles querem. E não tem uma lei que obrigue a empresa a continuar produzindo cilindros. Foi muito ruim ouvir a própria empresa falando na reunião que já tem que comunicar os clientes porque senão a produção não para. Mas o nosso papel está sendo feito. Tudo o que avançamos no setor de fundidos foi pela mobilização, e estamos novamente aqui para buscar uma proposta para os trabalhadores de forjados”, afirmou Oliveira.

Sindicato aponta demanda

O sindicato sustenta que há demanda para o setor e que o problema não está nos trabalhadores. O sindicalista também criticou a justificativa empresarial de que o avanço do aço importado da China seria o principal motivo para o fechamento.

“Essa é a narrativa dos empresários. E a culpa aqui também não é dos trabalhadores. A culpa é da incompetência, da gestão malfeita, de apostas erradas na produção de anéis para turbinas de energia eólica. Os trabalhadores sinalizavam a todo tempo que precisava investir nos equipamentos, que estavam ficando ultrapassados. A verdade é que a Gerdau nunca enxergou o setor de cilindros como uma atividade dela. Eles mesmos falam que só passaram a fazer porque veio junto com compra da Villares”, disse.

Logo após a mobilização, o sindicato voltou a se reunir com representantes da empresa. Segundo a entidade, um calendário de reuniões foi definido e ficou estabelecido que nenhuma demissão será feita enquanto as negociações estiverem em andamento.

Outro lado

Por meio de nota, a Gerdau confirmou a descontinuidade do setor de cilindros em Pindamonhangaba. A empresa disse que todos os acordos serão cumpridos.

“A Gerdau confirma a descontinuidade das operações na área de cilindros na unidade de Pindamonhangaba (SP). A decisão reflete o cenário desafiador da indústria nacional do aço em função da entrada excessiva de aço importado, a sobreoferta no mercado mundial e a estratégia da Companhia de focar em ativos com maior competitividade e rentabilidade. A Gerdau reforça que mantém diálogo constante com o sindicato e o seu compromisso no cuidado com as pessoas. A Empresa também reafirma que todos os acordos e obrigações assumidos com clientes serão integralmente cumpridos.”