24 de março de 2026
OPINIÃO

SP fortalece a pecuária com fundo indenizatório

Por Geraldo Melo Filho | Secretário de Agricultura e Abastecimento de SP
| Tempo de leitura: 3 min
Governo de SP
Geraldo Melo Filho

O agronegócio paulista iniciou o ano com um superávit de US$2,79 bilhões no primeiro bimestre, com exportações de US$3,37 bilhões. Nesse resultado, a cadeia de carnes ocupa posição central. O setor respondeu por 16,6% das exportações, somando US$623 milhões, com a carne bovina representando mais de 80% desse total. Ao mesmo tempo, o desempenho interno reforça essa relevância: a produção de carnes cresceu 21% em 2025, alcançando R$22,64 bilhões no Valor da Produção Agropecuária.

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Esses números ajudam a explicar por que a sanidade animal deixou de ser apenas uma agenda técnica e passou a ocupar o centro das prioridades do Estado de São Paulo. Em um mercado internacional cada vez mais exigente, produzir bem já não é suficiente. É preciso garantir previsibilidade, rastreabilidade e, principalmente, capacidade de resposta rápida diante de qualquer risco.

Foi nesse contexto que São Paulo estruturou o Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária, o Fundesa-PEC, regulamentado na Feicorte 2025, em Presidente Prudente, após sanção do governador Tarcísio de Freitas. A iniciativa responde a uma mudança relevante no status sanitário do Estado, que passou a ser reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), no início de 2025. Trata-se de um avanço importante, que amplia o acesso a mercados mais exigentes, mas que também exige um sistema ainda mais robusto de vigilância e reação.

O fundo resolve um dos principais dilemas da defesa sanitária. Em situações de suspeita ou confirmação de febre aftosa, pode ser necessário abater animais para conter a disseminação da doença. Sem um mecanismo de compensação, o produtor tende a postergar decisões, o que compromete a eficiência da resposta e amplia o risco econômico para toda a cadeia.

Com o Fundesa-PEC, essa lógica se altera. Os animais são previamente avaliados e, caso seja necessário o abate sanitário em decorrência de febre aftosa, o produtor é indenizado de forma integral, nos termos da legislação vigente. Isso garante segurança ao pecuarista e permite que as medidas sejam adotadas com a rapidez que a situação exige. Em sanidade animal, o tempo é um fator decisivo. Quanto mais rápida a contenção, menores os impactos e mais ágil a recuperação do status sanitário.

O impacto dessa política vai além da porteira. Mercados internacionais não avaliam apenas a ausência de doenças, mas também a capacidade institucional de lidar com eventuais ocorrências. Países que pagam mais pela carne exigem sistemas confiáveis, organizados e capazes de responder com eficiência a qualquer foco.

Nesse cenário, o fundo funciona como um sinal claro de maturidade do sistema produtivo paulista. Ele demonstra que o Estado não apenas alcançou um alto padrão sanitário, mas que também está preparado para mantê-lo. Essa capacidade de resposta reduz o risco de embargos prolongados e preserva tanto o valor quanto o fluxo das exportações.

Há também um avanço importante no modelo adotado. O fundo é sustentado por contribuições dos próprios produtores, o que cria um ambiente de corresponsabilidade. Quem participa do sistema contribui para sua proteção, ao mesmo tempo em que o poder público mantém seu papel na coordenação, fiscalização e execução das ações sanitárias.

O agronegócio brasileiro e paulista sempre se destacou pela eficiência produtiva. O desafio atual é outro. Trata-se de consolidar sistemas capazes de garantir confiança em escala global. São Paulo, ao transformar a sanidade animal em instrumento econômico, sinaliza que está preparado para essa nova etapa.

Em um cenário em que o comércio internacional é cada vez mais sensível a riscos, a competitividade não depende apenas de produzir mais, mas de responder melhor. E, nesse aspecto, a capacidade de antecipação e reação passa a ser tão valiosa quanto a própria produção.