21 de março de 2026
RELATOS

O que Gisele disse às amigas sobre casamento com tenente-coronel

São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Da redação
Reprodução
Gisele e o tenente-coronel Neto

Depoimentos de colegas de trabalho da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, apontam que a policial vivia sob constante vigilância e enfrentava episódios de ciúmes excessivo por parte do marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Ele foi preso nesta semana sob suspeita de feminicídio, mas nega o crime.

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As informações constam no inquérito policial, que reúne relatos de seis policiais militares, cinco mulheres e um homem, que trabalhavam com Gisele desde 2022 no Departamento de Suporte Administrativo do Comando Geral (DSA/CG) da Polícia Militar de São Paulo.

Nos depoimentos, os colegas descrevem a vítima como uma profissional exemplar, gentil e querida no ambiente de trabalho. Segundo uma das policiais, Gisele “cativou a todos” desde que ingressou no setor, sendo lembrada como uma pessoa alegre, espontânea e de fácil convivência.

Apesar disso, os relatos indicam que a soldado enfrentava um relacionamento marcado por controle e possessividade. De acordo com os depoimentos, o tenente-coronel realizava visitas frequentes e inesperadas ao local de trabalho da esposa, além de monitorar suas atividades.

Um dos relatos aponta que o oficial chegou a se esconder dentro do quartel para observar a esposa sem ser visto. Em outro episódio, ele teria interferido na rotina de trabalho de Gisele, evitando que ela permanecesse sozinha durante escalas.

Colegas também relataram episódios de ciúmes e intimidação. Em uma das situações, o tenente-coronel teria repreendido uma sargento após um comentário sobre a aparência da soldado. Ainda segundo os depoimentos, Gisele se dizia constrangida e sufocada com o comportamento do marido.

Há também relatos de que o oficial tinha acesso às redes sociais da esposa e controlava suas interações, impedindo que ela mantivesse contato com colegas de trabalho nas plataformas digitais. Uma policial afirmou ainda que ele costumava borrifar seu perfume na farda utilizada por Gisele.

Um sargento que atuava como superior da vítima afirmou que ela vivia sob constante vigilância e que, em diversos momentos, chegava triste ao trabalho, demonstrando melhora ao longo do dia ao conviver com os colegas. No entanto, voltava a apresentar comportamento apático ao perceber a presença do marido no local.

Segundo os relatos, Gisele demonstrava forte apego à filha, de 7 anos, e planos para o futuro. Ela estava animada com uma recente promoção e com a possibilidade de transferência para a Assessoria Policial Militar do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O caso segue sob investigação.