Dois meses após revogar o processo anterior, a Prefeitura de Taubaté abriu novo chamamento público para definir a próxima gestora do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté).
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O chamamento anterior, que havia sido aberto em dezembro de 2025, foi revogado em janeiro "para alinhamento e ajustes na área técnica de gestão hospitalar da unidade".
Nesse novo chamamento, as entidades interessadas em assumir a gestão do hospital terão até 24 de abril para apresentar proposta.
O atual contrato de gestão do HMUT foi firmado em julho de 2024, ainda no governo do ex-prefeito José Saud (PP), com a Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, ao custo de R$ 112,8 milhões por ano (R$ 9,4 milhões por mês), e prorrogado por mais 12 meses em julho de 2025, já na gestão do prefeito Sérgio Victor (Novo).
Na última prorrogação do atual contrato, o governo Sérgio decidiu incluir uma cláusula que prevê que a Prefeitura pode determinar a rescisão de forma unilateral - para isso, basta encaminhar aviso prévio à Chavantes com antecedência mínima de 30 dias.
Essa mudança no contrato foi feita em um momento de divergências entre as partes, em que o município chegou a ajuizar uma ação para pedir que a entidade fosse impedida de paralisar os atendimentos no hospital. A Prefeitura diz que a Chavantes não realiza todos os procedimentos previstos no contrato. Já a gestora alega que o município não faz os repasses financeiros devidos.
Assim como o edital do chamamento anterior, que foi revogado, o novo edital prevê que o próximo contrato poderá custar R$ 132,3 milhões por ano (R$ 11 milhões por mês), o que representaria um aumento de 17,3% sobre o atual.
A reportagem questionou a Prefeitura sobre a previsão de aumento de 17,3% no custo da terceirização e sobre a decisão de abrir um novo chamamento, já que o contrato com a Chavantes está vigente e poderia ser prorrogado até 2029. O município respondeu que o novo chamamento "prevê aumento no número de leitos e ampliação dos serviços hospitalares".
Sobre o valor, a Prefeitura afirmou que está 4,4% acima do chamamento de 2024, que foi vencido pela Chavantes e tinha valor máximo de R$ 126,7 milhões por ano. O município ressaltou que o montante de R$ 132,3 milhões por ano é o valor máximo do novo chamamento, "mas poderá ser reduzido de acordo com a apresentação das propostas das Organizações Sociais participantes".
Em setembro de 2025, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) julgou irregular o chamamento público realizado em 2024 pela Prefeitura que resultou na contratação da Chavantes para gerir o HMUT.
Entre as irregularidades apontadas pelo TCE no chamamento anterior estão: ausência de comprovação de que a parceria seria mais vantajosa economicamente do que a gestão direta pela Prefeitura; ausência de demonstrativo de custos apurados para a estipulação de metas; ausência de estimativa do quantitativo de pessoal, de equipamentos e de materiais necessários à execução do objeto; e ausência de publicação na imprensa oficial da relação das entidades que manifestaram interesse no processo.