A manutenção da Ponte Estaiada Juana Blanco (Arco da Inovação), em São José dos Campos, após o surgimento de fissuras na estrutura de concreto do equipamento, é uma situação que pode ocorrer em estruturas da mesma natureza, segundo o secretário de Gestão de Obras de São José.
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José Turano explicou que a manutenção é necessária depois que fissuras foram detectadas na estrutura de concreto da ponte, inaugurada em abril de 2020 e que foi interditada para os trabalhos de recuperação. A obra começou na manhã da última segunda-feira (16) e pode durar até dez dias.
Fissuras são como “cortes”, normalmente finos e alongados, que surgem na superfície ou interior de elementos estruturais, como vigas, lajes e pontes. Elas indicam manifestações patológicas causadas por tensões que superam a resistência do material, frequentemente geradas por retração, variação térmica, sobrecarga ou erros de execução.
Turano disse que a Ponte Estaiada passa por um “reparo de patologia”, que ocorre em todas as estruturas de concreto, em razão de o concreto ser “um material que fissura”. “As fissuras aparecem com a variação de temperatura”, explicou o secretário.
Ele informou que as fissuras foram identificadas na câmara instalada no Arco da Inovação, a 100 metros de altura.
“Essas fissuras não haviam [sido] identificadas e foram comunicadas à construtora Queiroz Galvão, dentro do prazo de garantia. Nesse prazo, a construtora já veio aqui analisar, fez um cronograma, apresentou o método de trabalho e hoje está executando”, disse Turano (veja vídeo abaixo).
Especialistas dizem que a presença de fissuras na parte superior de uma ponte estaiada, geralmente onde os cabos são ancorados no mastro, pode comprometer a estrutura, mas a gravidade depende da profundidade, abertura e causa técnica da abertura.
Em pontes estaiadas, o mastro e suas câmaras de ancoragem suportam cargas críticas de compressão e tração. O sistema é feito com essas características.
Se houver suspeita de dano, é necessária uma inspeção técnica especializada para realizar um laudo e determinar se a ponte deve ser interditada para manutenção emergencial, como ocorre no Arco da Inovação em São José dos Campos.
Na primeira etapa da manutenção, segundo a Prefeitura, equipes da construtora realizam serviços de conservação do concreto, limpeza e verificação do sistema de drenagem. Segundo a administração municipal, essa fase não gera custos ao município, pois está coberta pela garantia da obra executada pela construtora responsável.
Na sequência, uma empresa especializada será responsável pela inspeção técnica dos cabos de sustentação da ponte. O trabalho será realizado com técnicas de acesso por rapel, devido à altura da estrutura, que chega a cerca de 100 metros. Engenheiros e profissionais certificados em atividades em altura participarão da operação.
Segundo Turano, o andamento do reparo depende das condições climáticas, em razão de o material exigir tempo seco para ser aplicado e o serviço necessitar da prática de rapel.
“Sem dúvida, a chuva pode atrapalhar o andamento dessa obra, porque é um produto que tem que ser aplicado no seco, sem água. E também porque o acesso lá em cima é tudo no rapel. E rapel com chuva e vento é perigoso”, afirmou.
Condições climáticas adversas provocarão a paralisação da obra de manutenção. “Chuva e vento forte, com certeza, pode alterar o prazo previamente definido de execução desse reparo”, disse o secretário de Gestão de Obras.
Como o passar do tempo, a estrutura da Ponte Estaiada vai apresentando desgastes normais da utilização e da ação do clima, que são acompanhados e medidos.
“Essa obra é uma obra estaiada. Ela é feita de maneira que o arco, ao ser construído, ele vai disparando os estais, que são esses cabos amarelos, [agora] brancos, que estão hoje perdendo um pouco a cor, mas eram amarelos originalmente. Eles vão segurando a parte da ponte onde vai o carro [pista]”, explicou Turano.
“Então, ela é construída progressivamente, tanto o primeiro movimento, que sai no sentido São João, com o segundo, que vem da São João e vai para a Dutra. É um sistema muito bonito, dá uma beleza plástica, é muito boa e outra, aqui pelo espaço que nós tínhamos, o melhor projeto que foi executado foi esse”, assegurou.
Turano disse que a Ponte Estaiada se mostra necessária à cidade: “Hoje, mais do que nunca, foi constatado que São José precisa dessa obra e vai precisar ainda mais, porque São José não para de crescer e assim esperamos que continue. A obra é importante, vimos que o trânsito parou na cidade, em todos os movimentos, em todas as direções, então a obra está mais do que provada a sua necessidade”.
Os cabos que sustentam a Ponte Estaiada vão passar por inspeção técnica por uma empresa especializada. O trabalho será realizado com técnicas de acesso por rapel, devido à altura da estrutura, que chega a cerca de 100 metros. Engenheiros e profissionais certificados em atividades em altura participarão da operação.
O valor máximo de referência da licitação é de 832.867,74. A proposta vencedora foi de R$ 498 mil, da empresa Integra Consultoria e Projetos de Engenharia, com sede no Rio de Janeiro. A concorrência está em fase de recurso administrativo.
A inspeção do sistema de estaiamento do Arco da Inovação faz parte da segunda etapa de manutenção da Ponte Estaiada, inaugurada em abril de 2020 e que se tornou um dos principais cartões-postais da cidade.