20 de março de 2026
MORTE EM TAUBATÉ

Caminhão que matou João não tinha ‘defeito mecânico’, diz polícia

Por Xandu Alves | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Caminhão faz conversão na via sem ver João Gustavo (detalhe), que morreu no acidente

O caminhão que matou o motociclista João Gustavo Antunes Simões, 19 anos, em Taubaté, não tinha defeito mecânico, segundo investigação da Polícia Civil, que segue em andamento.

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O jovem morreu há um ano após a moto bater em um caminhão de manutenção semafórica da Semob (Secretaria de Mobilidade Urbana) de Taubaté. O veículo fez uma conversão na via e atingiu o motociclista na pista contrária.

Um ano depois da tragédia, a família de João Gustavo cobra punição ao motorista envolvido no acidente. “É uma angústia para a família. Esse é o sentimento nosso, de impunidade e de nada ter sido resolvido nesse caso. Tudo muito vago e ninguém se posiciona ou fala alguma coisa. Estamos aguardando o posicionamento da Justiça”, disse Marco Simões Filho, pai da vítima.

Investigação

O delegado Plínio Marco Canineo da Silva, que comanda a investigação, disse que o trabalho da Polícia Civil segue em fase final de apuração do acidente ocorrido em 5 de março de 2025, no cruzamento da rua Umberto Passarelli com a rua José Franklin de Moura, em Taubaté, que resultou na morte de João Gustavo.

O acidente envolveu um caminhão e uma motocicleta. João Gustavo chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

“Perícias realizadas no local e nos veículos apontaram que o caminhão realizava manobra de conversão à esquerda quando houve a colisão. Não foram identificados defeitos mecânicos que pudessem ter contribuído para o acidente. Os exames toxicológicos da vítima deram negativo para álcool e outras substâncias”, afirmou o delegado a OVALE.

Ele também disse que foram colhidos depoimentos, analisadas imagens e requisitados laudos complementares. O inquérito segue sendo finalizado e será encaminhado ao Poder Judiciário com o relatório conclusivo.

Justiça

Um ano depois da tragédia, a família de João Gustavo segue aguardando que a justiça seja feita ao caso, que interrompeu uma vida de sonhos e projetos do jovem taubateano.

“Esperamos que o responsável seja de fato punido. É o único sentimento que restou. Não esperamos nada de material, mas a justiça é que o importa”, afirmou o pai.

O condutor do caminhão, que tinha 42 anos na época do acidente, é servidor de carreira da Prefeitura de Taubaté desde 2012, tendo sido admitido em concurso como motorista. Entre 2023 e o início de 2025, ele exerceu funções de chefia na Secretaria de Mobilidade Urbana, como Supervisor Técnico de Frota de Sinalização Semafórica e Supervisor de Divisão de Frota.

A colisão

O acidente aconteceu por volta de 13h do dia 5 de março de 2025, no cruzamento entre as ruas Umberto Passarelli e José Franklin de Moura, no bairro Vila Jaboticabeira, em Taubaté. Moradores informaram que o local registrava acidentes regularmente.

João Gustavo vinha de moto na via quando o motorista do caminhão fez uma conversão, aparentemente sem ver o motociclista, provocando a colisão (veja o vídeo).

O jovem foi socorrido pelo Samu para o Hospital Regional de Taubaté, mas morreu em decorrência dos ferimentos. A equipe médica constatou o óbito por trauma raquimedular, uma lesão na medula espinhal, de acordo com o boletim de ocorrência.

A investigação

O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor. Na época, a autoridade policial pediu perícia ao IML (Instituto Médico Legal) para o corpo de João Gustavo, além de perícia científica no local do acidente.

Após o acidente fatal, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Taubaté anunciou melhorias viárias no local, onde foi instalada uma minirrotatória para disciplinar a conversão.

Segundo o pai de João Gustavo, o processo criminal do acidente ainda está em andamento, sem conclusão. “Contratamos advogado e está rolando o processo. Na parte criminal não há uma conclusão. A Prefeitura também não procurou a família”, disse Simões Filho.