13 de março de 2026
BANCO MASTER

Master: CPI quebra sigilo de cunhado de Vorcaro, preso no Vale

Por Da redação | Potim
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Vorcaro (esquerda) e Zettel (direita)

A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do empresário e pastor Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e investigado em um suposto esquema bilionário envolvendo o Banco Master.

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Zettel está preso na Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, desde o último dia 5, após ter sido alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal do Brasil.

A CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação de duas autoridades do Banco Central do Brasil afastadas dos cargos por suspeita de irregularidades relacionadas ao banco investigado.

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Investigação envolve suspeita de lavagem de dinheiro

De acordo com os senadores que integram a comissão, a investigação apura a atuação de uma organização criminosa que teria utilizado o Banco Master para lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado, incluindo o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo o senador Humberto Costa, a apuração também investiga a possível cooptação de agentes públicos responsáveis por fiscalizar o sistema financeiro.

“A captura de agentes públicos em órgãos de controle é um dos mecanismos que permitem a expansão e o fortalecimento do crime organizado”, afirmou o parlamentar ao justificar o requerimento.

Servidores do Banco Central são convocados

A CPI aprovou a convocação de dois servidores de carreira do Banco Central que foram afastados das funções após se tornarem alvo da investigação: Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC entre 2019 e 2023; Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária entre 2019 e 2024.

Ambos utilizam tornozeleira eletrônica e são investigados por suspeita de receber vantagens indevidas em troca de favorecimento ao Banco Master.

Os requerimentos foram apresentados pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira, e também pelo senador Humberto Costa.

Outras convocações aprovadas

Além da quebra de sigilo de Zettel, os senadores aprovaram a convocação de outros nomes ligados às investigações: Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital; Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da Varajo Consultoria; Ana Claudia Queiroz de Paiva, sócia da Super Empreendimentos e Participações; Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal.

Segundo os parlamentares, todos teriam ligação com operações investigadas envolvendo o Banco Master.

Caso também envolve milícia privada

A CPI também solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça informações sobre documentos enviados pela Polícia Federal relacionados à morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.

Segundo o relator da CPI, Mourão teria atuado na coordenação de uma estrutura privada chamada “A Turma”, descrita como uma milícia voltada à coleta de informações e monitoramento de adversários do grupo econômico investigado.

Cunhado de Vorcaro segue preso no Vale

Zettel permanece detido na Penitenciária 2 de Potim, unidade do sistema prisional paulista que vem recebendo presos envolvidos em casos de grande repercussão nacional.

Inicialmente colocado em cela de isolamento, procedimento padrão para novos detentos, ele deverá ser transferido posteriormente para o pavilhão do regime fechado. O presídio tem capacidade para 844 presos, mas atualmente abriga cerca de 472 detentos, segundo dados oficiais.

Quem é Fabiano Zettel

Empresário e pastor evangélico, Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ele ganhou projeção no meio empresarial com investimentos em redes de alimentação, suplementos fitness e academias de alto padrão. Também fundou a Moriah Asset, fundo de private equity voltado a negócios do setor de frutas e produtos fitness.

Nas eleições de 2022, ele foi o maior doador individual da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, com doação de R$ 3 milhões, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Ele também contribuiu com R$ 2 milhões para a campanha do governador paulista Tarcísio de Freitas.