07 de março de 2026
HISTÓRIA DE VIDA

Após 94 dias, bebê com condição rara recebe alta da UTI em SJC

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
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Após 94 dias, bebê com condição rara recebe alta da UTI em SJC

Depois de 94 dias de internação, o pequeno Emmanuel finalmente deixou o hospital e pôde ir para casa nesta sexta-feira (6). O bebê recebeu alta da UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, encerrando um período marcado por cirurgias delicadas, complicações e muita expectativa da família.

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Filho de Thais Murat e Cesar Murat, Emmanuel nasceu em 29 de novembro de 2025 com onfalocele gigante, uma malformação rara da parede abdominal. Nessa condição, órgãos como o fígado, parte do estômago e do intestino se desenvolvem fora do corpo do bebê, protegidos apenas por uma membrana.

O diagnóstico foi identificado ainda no início da gestação. Moradores de Caraguatatuba, os pais procuraram atendimento especializado em São José dos Campos, onde o hospital municipal é referência em procedimentos de alta complexidade pelo SUS.

Condição rara e tratamento complexo

A onfalocele é considerada uma malformação congênita pouco frequente, registrada em aproximadamente 1 a cada 4 mil a 7 mil nascimentos. Nos casos classificados como gigantes, como o de Emmanuel, o defeito na parede abdominal é maior e costuma envolver a saída de órgãos importantes, como o fígado.

Estudos médicos indicam que a taxa de mortalidade da condição pode variar entre 10% e 30%, podendo chegar a 20% a 40% quando se trata da forma gigante, principalmente quando há outras malformações associadas ou complicações respiratórias.

O tratamento exige cirurgias complexas e longos períodos de internação em UTI neonatal.

Durante toda a gestação, a mãe foi acompanhada pelo cirurgião pediátrico Eric Chaves, que também participou da primeira cirurgia do bebê logo após o nascimento.

Ao longo dos três meses de internação, Emmanuel passou por quatro cirurgias. Também integraram a equipe médica os profissionais Guilherme Marino, Douglas Vieira, Eduardo Capella e Pedro Brito. Nesse período, o bebê enfrentou duas intercorrências graves e chegou a correr risco de morte.

Mesmo diante das dificuldades, a família manteve a esperança. Durante toda a internação, Thais permaneceu ao lado do filho na UTI Neonatal, acompanhando cada etapa da recuperação, enquanto o pai se revezava com ela e seguia trabalhando.

Despedida emocionante da equipe

Antes da alta, Emmanuel recebeu uma homenagem da equipe multiprofissional da UTI Neonatal, que acompanhou de perto sua recuperação. O momento foi marcado por emoção, com profissionais reunidos para se despedir da família com bexigas e mensagens de carinho.

O bebê também recebeu um certificado simbólico de “Pequeno Guerreiro”, em reconhecimento à força demonstrada durante todo o período de internação.

Para os profissionais de saúde, o caso marcou profundamente a equipe. Durante a despedida, a fisioterapeuta Sandra Batista destacou o desafio enfrentado.

“Parabéns pela garra e pela determinação. Foi um desafio grande para a família e também para a equipe, porque foi algo raro para nós. Vai ficar registrado no nosso coração e na nossa memória”, afirmou.

A coordenadora da UTI Neonatal, enfermeira Fernanda Ferrer, também ressaltou a dedicação da mãe durante todo o processo.

“Parabéns, mãe, pela mulher forte que você foi. Um exemplo gigante de fortaleza. Estamos todos admirados”, disse.

Alta sem sequelas

A alta hospitalar ocorreu sem sequelas, o que trouxe alívio e emoção para a família e para os profissionais que acompanharam o caso.

“Era um dia de cada vez. Estou muito feliz de sair daqui com meu filho saudável. Não tenho palavras para agradecer”, afirmou a mãe, Thais Murat.

Mesmo em casa, Emmanuel continuará sendo acompanhado por especialistas até que ocorra o fechamento completo da ferida cirúrgica.

Emocionada, a mãe também fez questão de agradecer à equipe do hospital.

“Sou muito grata ao hospital pela estrutura. Aqui tem tudo. Agradeço aos médicos, enfermeiros, técnicos e terapeutas. Todos são muito profissionais e trataram o Emmanuel com muito carinho”, disse.

Após meses de luta, a recuperação do bebê é vista pela família e pela equipe médica como uma vitória da vida, da medicina e do cuidado humano.