As mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço na sociedade brasileira, em setores antes dominados exclusivamente pelos homens, especialmente no mercado de trabalho. No entanto, a violência e a baixa presença política ainda são desafios a serem enfrentados. Neste dia 8 de março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Quanto ao emprego, o estado de São Paulo lidera a contratação de mulheres no país e tem ampliado o mercado de trabalho para as trabalhadoras.
O estado de São Paulo consolidou sua liderança na ocupação feminina em 2025, com o número de mulheres empregadas superando 11 milhões, impulsionado por uma forte recuperação no mercado de trabalho pós-2022.
Setores como educação, serviços domésticos e comércio predominam na ocupação feminina, com 93% dos serviços domésticos sendo ocupados por mulheres, percentual que se estende às regiões do interior, como no Vale do Paraíba.
De acordo com o Ministério do Trabalho, o estado de São Paulo gerou 1.369.947 empregos formais entre o início de 2023 e novembro de 2025.
No recorte por gênero, a maior parte dos empregos com carteira assinada gerados em São Paulo nesse período foi ocupada por mulheres: 763.707. No mesmo período, os homens foram responsáveis por ocupar 606.240 empregos.
Apesar da alta ocupação, as mulheres continuam enfrentando disparidades salariais, recebendo menos que os homens (em média 21% a menos no setor privado) e concentrando-se em atividades com menor remuneração.
“O desafio ainda é grande, de ser aceita, principalmente em cargo de liderança, de ser ouvida, de ter a sua voz ali, de ser reconhecida. Este desafio, hoje, é um pouco menor, mas ele ainda existe”, disse Renata Marcondes, especialista em desenvolvimento pessoal e professora da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Guaratinguetá, em entrevista ao portal A12.
“Eu percebo o movimento das empresas no sentido de criar mais reconhecimento, de criar dentro da sua cultura, uma política de contratação, inclusive ter um limite para que aquela mulher esteja em cargos, principalmente de liderança. Talvez ainda não seja o suficiente, mas pelo menos existe esse movimento que é tão importante para nós.”
Dados do último censo do IBGE, em 2022, mostram que o número de mulheres ocupadas no Brasil é de 46,3% enquanto de homens é de 66,3%. Os dados mostram ainda que as mulheres recebem salários 22% menor em comparação com os homens.
A violência faz uma mulher sofrer algum tipo de crime ou delito a cada 2 minutos no estado de São Paulo.
O levantamento foi feito por OVALE com base nos dados oficiais da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), de ocorrências de violência contra a mulher registradas em 2025.
Os números da SSP mostram que 280,24 mil ocorrências de violências cometidas contra as mulheres foram registradas no ano passado. Na média, o estado tem 767 mulheres sendo vítima de um crime por dia e 32 por hora. Uma a cada dois minutos.
São 16 tipos diferentes de violência enumerados pela SSP, incluindo o feminicídio (assassinato por ser mulher), homicídio e lesão corporal dolosa, além de estupro, ameaça e maus tratos.
No caso dos feminicídios, no qual a vítima é morta pela condição feminina, o estado registra 270 casos. Do total de mortes, 151 ocorreram em cidades do interior.
O número de mulheres estupradas também continua elevado, com 3.221 crimes consumados e 499. Já contra as vítimas vulneráveis, o total de estupros foi de 10.192 no ano passado, em todo o estado, com 6.143 desses crimes ocorrendo no interior.
“Há muito que ser feito para diminuir a violência contra a mulher, que aumentou com a pandemia. O trabalho é de conscientização, de aumentar a fiscalização e de maior rigor na aplicação das leis, além de acolher as mulheres que sofrem violência”, disse Marcela de Andrade, do Centro Dandara de São José dos Campos.
De cada 10 vereadores nos maiores colégios eleitorais do Vale do Paraíba, apenas dois são mulheres. A proporção é muito baixa para o público feminino nas principais Câmaras Municipais da região, considerando que as mulheres são mais de 51% da população da região e também do total de eleitores.
O levantamento contempla os vereadores nas 10 maiores cidades do Vale: São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Pindamonhangaba, Caraguatatuba, Guaratinguetá, Caçapava, Ubatuba, Lorena e São Sebastião.
De um total de 140 vereadores nesses municípios, 113 são homens, o que representa a esmagadora maioria de 80,71% dos representantes. As mulheres somam 27 entre os parlamentares – 19,29% do total.
Em São José dos Campos, dos 21 vereadores, há 19 homens e apenas duas mulheres, Amélia Naomi e Juliana Fraga, ambas do PT. O percentual feminino no legislativo municipal é de 9,5%, um dos mais baixos entre as 10 maiores cidades.
Taubaté conta com 16 homens e três mulheres para um total de 19 vereadores. A bancada feminina é composta por Talita (PSB), Vivi da Rádio (Republicanos) e Zelinda Pastora (PRD).
Em Jacareí, a Câmara conta com 12 homens e apenas uma mulher: Maria Amélia (PSDB).
A maior paridade entre os sexos está na Câmara de Caçapava, que conta com 11 vereadores: seis homens e cinco mulheres, 45% de presença feminina.
Nas prefeituras, o percentual também é bastante baixo: nas 39 cidades da região, apenas duas são governadas por mulheres: Flávia Pascoal em Ubatuba e Professora Helô em Paraibuna, ambas do PL.
“A representatividade da mulher na política tem que aumentar muito em todo o país, e principalmente na nossa região, que é bastante conservadora. É importante fomentar os espaços de participação da mulher e de incentivo para ela entrar na política e ter condições de disputar os cargos”, disse a cientista social e política Dora Soares.