O banqueiro Daniel Vorcaro deixou nesta sexta-feira (6) a Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba, para ser transferido à Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília. A saída ocorreu por volta das 11h40.
A transferência foi determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça relator do caso, após pedido da Polícia Federal. A expectativa é que Vorcaro embarque para Brasília a partir do aeroporto de São José dos Campos.
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Segundo a PF, a mudança de unidade foi necessária para garantir a integridade física do investigado e reduzir riscos à segurança pública, diante da complexidade da investigação e da influência atribuída ao empresário.
Vorcaro foi preso na última quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.
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O banqueiro havia sido levado na manhã de quinta-feira (5) para a penitenciária localizada em Potim, onde deveria cumprir inicialmente um período de isolamento de dez dias (procedimento padrão adotado pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) para novos detentos).
No entanto, poucas horas depois da chegada ao presídio do Vale do Paraíba, a Polícia Federal solicitou ao STF a transferência para o sistema penitenciário federal.
Na decisão, Mendonça destacou que os elementos reunidos pela investigação indicam risco à segurança pública caso o investigado permaneça em uma unidade estadual.
De acordo com a PF, Vorcaro possui significativa capacidade de articulação e influência em diferentes esferas do poder público e do setor privado, o que exigiria medidas de segurança mais rigorosas.
A Penitenciária 2 de Potim passou recentemente a receber presos que antes ficavam na Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida nacionalmente como o “presídio dos famosos”.
Com mudanças no sistema prisional paulista promovidas pelo governo do estado, a unidade do Vale passou a concentrar detentos envolvidos em casos de grande repercussão.
Entre os nomes que já passaram ou cumprem pena no local estão o ex-médico Roger Abdelmassih, o empresário Sérgio Nahas e Fernando Sastre.
Inaugurada em 2002, a penitenciária tem capacidade para 844 presos e atualmente abriga cerca de 472 detentos, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária.
A prisão de Vorcaro faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Segundo os investigadores, o banqueiro é suspeito de integrar um esquema bilionário envolvendo crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças, invasão de dispositivos informáticos e fraudes financeiras.
Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirmou que os indícios reunidos vão além de crimes financeiros e apontam a existência de uma espécie de “milícia privada” que teria sido usada para intimidar opositores e interferir em investigações.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Um aliado do banqueiro, Luiz Phillipi Mourão, tentou se matar na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte e foi levado para um hospital da capital mineira.
De acordo com as investigações, Mourão atuava como auxiliar de Vorcaro e seria responsável por monitorar e obter informações sigilosas sobre pessoas consideradas adversárias do empresário.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades” e negou qualquer tentativa de interferir nas investigações.
Os advogados disseram confiar que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade da conduta do empresário.