05 de março de 2026
DESAPARECIDA

Brasileira que fez mestrado no ITA é encontrada morta no Canadá

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes sociais
Letícia Oliveira Alves e a as roupas encontradas junto ao corpo dela

Encontrada morta em uma área de floresta na província de Quebec, no Canadá, a brasileira Letícia Oliveira Alves, 36 anos, possuía mestrado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de São José dos Campos.

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Ela era natural de Goiânia (GO) e formada em Química pela UFG (Universidade Federal de Goiás). Letícia deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu em Goiânia sob os cuidados da avó e não participou das viagens feitas pela mãe ao exterior.

A brasileira teve a identidade confirmada no fim de fevereiro, na quinta-feira (26), após meses de buscas internacionais. Ela estava desaparecida desde dezembro de 2023 nos Estados Unidos e havia sido incluída na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo usado para ajudar a localizar pessoas desaparecidas.

Segundo a força policial provincial de Quebec (Sûreté du Québec), caçadores localizaram o corpo na floresta da cidade de Coaticook, próxima à fronteira com os estados americanos de Vermont e New Hampshire.

De acordo com o porta-voz da corporação, Louis-Philippe Ruel, não havia sinais aparentes de violência, e a principal hipótese investigada é que a morte tenha ocorrido por hipotermia, após exposição prolongada ao frio intenso.

De acordo com familiares, o corpo havia sido encontrado ainda em abril de 2024, mas a confirmação oficial da identidade da brasileira só foi comunicada recentemente pelas autoridades.

A família tenta agora arrecadar recursos para realizar o traslado do corpo ao Brasil, enquanto aguarda a conclusão dos trâmites diplomáticos junto ao Ministério das Relações Exteriores.

“O Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Montreal, acompanha a situação e presta a assistência consular cabível aos familiares da nacional”, informou a pasta.

Desaparecimento

O caso de Letícia começou a ser investigado após comunicação feita pela mãe da brasileira às autoridades. O desaparecimento foi registrado inicialmente pelo GID (Grupo de Investigação de Desaparecidos) de Goiânia, que relatou não conseguir mais contato com Letícia desde dezembro de 2023.

De acordo com o relato da família, Letícia atuava como missionária da Igreja Adventista e teria iniciado uma viagem pela América do Sul. O primeiro destino mencionado foi a Argentina, seguida pela Bolívia. Posteriormente, a brasileira teria seguido para os Estados Unidos, chegando inicialmente ao estado do Mississippi em junho de 2023.

Em meio às buscas, surgiram indícios de que ela poderia estar em Boston, no estado de Massachusetts, possivelmente no endereço de um abrigo localizado na Harrison Avenue. O Consulado-Geral do Brasil na cidade chegou a ser acionado pela família, mas não conseguiu confirmar a presença da brasileira no local.

Consultas iniciais em bancos de dados também não encontraram registros de voos ou histórico migratório em nome de Letícia. Posteriormente, investigadores identificaram um registro de detenção nos Estados Unidos associado ao nome “Leticia Alpes Oliveira”, com a mesma data de nascimento da brasileira — o que levantou a hipótese de erro de grafia.

Ainda segundo o histórico policial, Letícia teria sido impedida de entrar no Canadá em janeiro de 2024, na região de Buffalo, em Nova York. Após a abordagem na fronteira, ela permaneceu por cerca de três meses sob custódia de autoridades migratórias dos Estados Unidos e foi liberada em abril daquele ano, mediante compromisso de comparecer a uma audiência de imigração prevista para 2026 em Boston.

A investigação também apontou que a brasileira poderia ter sido acolhida em um abrigo feminino na cidade, para mulheres em situação de vulnerabilidade. No entanto, contatos realizados por autoridades brasileiras não conseguiram confirmar a permanência dela no local, devido às regras de confidencialidade da instituição.

Em consultas posteriores às autoridades americanas, foi identificado que Letícia entrou no território dos Estados Unidos em janeiro de 2024 utilizando a grafia alternativa de seu nome e que não havia registros de saída do país. Em outra ocasião, segundo os registros, ela teria se identificado com o nome “Sara Mars”, circunstância que também passou a integrar a investigação.

Sem novos contatos da brasileira com a família, as buscas seguiram em cooperação internacional até a recente confirmação da localização do corpo no Canadá. As circunstâncias da morte ainda estão sendo apuradas pelas autoridades.

* Com informações do jornal O Globo