O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso pela Polícia Federal na quarta-feira (4), tornou-se um dos detentos da Penitenciária 2 de Potim, que vai virando o novo "Presídio dos Famosos" no Vale do Paraíba, no lugar de presídio de Tremembé.
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Mudanças promovidas pelo governo estadual no ano passado estão mudando o perfil da Penitenciária 2 de Potim, que passou a receber presos antes custodiados na Penitenciária 2 de Tremembé, nacionalmente conhecida como “Presídio dos Famosos”.
Com isso, a unidade de Potim passou a concentrar presos envolvidos em casos de grande repercussão. A penitenciária foi inaugurada em 18 de março de 2002, é destinada ao regime fechado e tem capacidade para 844 presos, com ocupação atual de 472 detentos, segundo a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária). A área construída é de 7.854,69 m².
Atualmente, a Penitenciária 2 de Potim já abriga presos como o ex-médico Roger Abdelmassih, o empresário Sérgio Nahas e o motorista do Porsche azul, Fernando Sastre.
Vorcado foi transferido do Centro de Detenção de Guarulhos para a Penitenciária 2 de Potim na manhã desta quinta-feira (5). O cunhado dele, Fabiano Zettel, também foi preso e transferido para Potim.
O banqueiro foi preso preventivamente na quarta-feira (4) após determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal, Mendonça, que é relator do caso no STF, afirma que os indícios reunidos pela investigação vão muito além de crimes financeiros e identifica a existência de "milícia privada" para intimidar opositores.
A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. Os advogados também negaram “categoricamente” as alegações atribuídas a ele e disseram confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade da conduta, reiterando confiança no devido processo legal e no funcionamento das instituições.
No caso de Fabiano Zettel, a defesa informou que ele está à disposição das autoridades, mesmo sem acesso integral ao objeto das investigações até o momento da manifestação pública.
A nova prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que, segundo a Polícia Federal, apura possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, além de um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Também foram determinadas medidas de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper movimentações de ativos e preservar valores potencialmente ligados aos fatos investigados. A apuração inclui suspeitas relacionadas à venda de títulos de crédito falsos, conforme informado pela PF.
A chegada do banqueiro a Potim recoloca o Vale no centro do noticiário nacional sobre o sistema prisional paulista. O tema já havia ganhado destaque em coberturas sobre Tremembé, transferências de presos conhecidos e mudanças no perfil das unidades da região.