O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região disse que a Ericsson vem realizando demissões na unidade da cidade a “conta-gotas”. Desde novembro, segundo a entidade e sem negociação prévia com o sindicato, cerca de 100 trabalhadores teriam sido dispensados.
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A empresa, localizada na zona leste de São José dos Campos, faz parte do setor de telecomunicações e emprega cerca de 600 trabalhadores atualmente.
O sindicato disse que os desligamentos graduais são “uma manobra irregular da Ericsson para substituir mão de obra efetiva por temporária”. Na prática, disse a entidade, a empresa “demitiu em massa sem negociar com o sindicato”.
Procurada pela reportagem, a empresa ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto.
Em assembleia realizada nesta quarta-feira (4), o sindicato informou que os metalúrgicos “exigiram da Ericsson estabilidade no emprego por seis meses para todos os trabalhadores, efetivação de todos os temporários e negociação adicional para os operários demitidos”. O sindicato tem reunião agendada com a fábrica nesta quinta-feira (5).
“Desde novembro, o sindicato tenta impedir os cortes e negociar com a Ericsson, mas a fábrica se mantém intransigente. Na assembleia de hoje, os trabalhadores deram o recado: não aceitarão manobras para substituição do quadro de trabalhadores. Exigimos estabilidade, efetivação de temporários e indenização para os companheiros demitidos”, disse Weller Gonçalves, presidente do sindicato.
A entidade ainda acusou a Polícia Militar de ter agido com “arbitrariedade e postura antissindical” para “tentar coibir o movimento desta quarta”. A empresa teria acionado a PM.
Os dirigentes Alex da Silva Gomes e Jairo Venâncio de Paiva, que também é trabalhador da fábrica, foram detidos e levados para a delegacia, onde permaneciam até o fim da manhã.
“O sindicato repudia a tentativa de repressão da Ericsson, que chamou a PM para tentar impedir a liberdade de mobilização, prevista na legislação brasileira. Lutar não é crime. Levar um dirigente sindical para a delegacia é uma arbitrariedade”, disse Weller.