O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto é investigado pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, no Brás, região central de São Paulo.
Neto atuou em unidades da Polícia Militar no Vale do Paraíba, incluindo Taubaté e São José dos Campos, onde mantém um apartamento.
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O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser tratado como morte suspeita após depoimentos de familiares, inconsistências na versão apresentada pelo oficial e novas provas anexadas ao inquérito.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o próprio tenente-coronel solicitou afastamento das funções enquanto o caso é investigado.
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Conversas apresentadas pela família à investigação apontam que o oficial afirmava ter acesso às redes sociais da esposa e monitorava as conversas dela.
Em uma das mensagens, ele escreveu: “Eu sou marido da Gisele. Eu tenho acesso às redes sociais dela e ela às minhas. Eu que printei as conversas suas com ela.”
O conteúdo integra o material entregue à Polícia Civil do Estado de São Paulo, responsável pela apuração.
Familiares afirmam que Gisele vivia um relacionamento abusivo, marcado por ciúmes e comportamento controlador. Segundo o advogado da família, a policial “estava clamando por socorro” e teria enviado mensagens pedindo ajuda semanas antes da morte.
Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que havia pedido o divórcio e que Gisele teria reagido atentando contra a própria vida enquanto ele estava no banho.
Neto declarou ter acionado o helicóptero Águia e solicitado apoio da corporação. Também afirmou ter procurado atendimento psicológico no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP após o ocorrido.
No entanto, segundo a investigação, ele teria retornado ao apartamento e tomado banho antes de prestar novo depoimento — circunstância que gerou questionamentos. A arma utilizada no disparo pertenceria ao oficial.
A Polícia Civil pediu à Justiça autorização para a exumação do corpo da policial, com o objetivo de esclarecer dúvidas apontadas pelo médico legista. Até a manhã desta quarta-feira (4), não havia decisão judicial sobre o pedido. A família informou, por meio do advogado, que não se opõe à exumação.
A Justiça também determinou sigilo sobre as investigações.
A investigação segue em andamento e novos desdobramentos podem ocorrer após a conclusão das perícias.
A família questiona a preservação do apartamento onde o corpo foi encontrado, na rua Domingos Paiva. Segundo o advogado da família, o local teria sido “contaminado e mexido”, o que pode impactar a análise pericial.
A reconstituição da morte foi realizada e os laudos técnicos são aguardados para definição oficial da causa do óbito.