26 de março de 2026
PRESIDENTE DA FPF

De Taubaté, Reinaldo Bastos é investigado por lavagem de dinheiro

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação FPF
Presidente da FPF e ex-Taubaté, Reinaldo Carneiro Bastos é investigado

O presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, que presidiu o Esporte Clube Taubaté no final da década de 1980, é alvo de inquérito instaurado pelo MP (Ministério Público de São Paulo) e conduzido pela polícia para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica e possível lavagem de dinheiro.

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A informação foi publicada pela jornalista Mônica Bergamo, em coluna na 'Folha de S.Paulo'.

O caso tem como ponto de partida uma notícia de fato criminal encaminhada pelos promotores Beatriz Lotufo Oliveira e Júlio César Matias Soares, que identificaram o que classificam como “vultuosa evolução patrimonial desprovida de lastro” por parte do dirigente.

Segundo o documento, a apuração envolve infrações previstas na Lei de Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e pode também alcançar crimes contra a ordem tributária. A FPF aparece como vítima das supostas irregularidades.

Os investigadores apontam que o patrimônio de Reinaldo e de seu núcleo familiar se expandiu de forma acelerada, com aquisição de dezenas de imóveis registrados em cartórios de diferentes cidades, a maioria em Taubaté, onde também se concentram empresas ligadas à família e a base do patrimônio do dirigente.

Alterações em empresas

As autoridades também identificaram sucessivas alterações societárias, criação de holdings e participação de parentes próximos nos quadros de administração.

Segundo a investigação, um dos pontos considerados mais sensíveis é a venda, em 2021, da participação de Reinaldo na Milclean Serviços Ltda., empresa de limpeza e conservação criada em Taubaté.

A operação foi registrada pelo valor de R$ 15,5 milhões, dos quais cerca de R$ 11,5 milhões teriam sido pagos em espécie, conforme a investigação. Para os promotores, essa forma de pagamento “configura circunstância atípica e incompatível com práticas comerciais ordinárias” e exige apuração sobre a origem dos recursos.

O inquérito foi protocolado no 23º DP (Distrito Policial) de Perdizes em 23 de janeiro e encaminhado ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital para a fase de diligências, em que serão confrontados os dados financeiros e a evolução patrimonial atribuída ao dirigente.

A abertura do inquérito ocorre em meio ao calendário eleitoral da FPF. A entidade escolherá seu novo presidente em 25 de março, e Reinaldo busca seu quarto e último mandato desde que assumiu o comando em 2015, quando sucedeu Marco Polo Del Nero, então eleito para a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Outro lado

A reportagem procurou a FPF e seu presidente para comentar a denúncia. Em nota, a Federação disse que Reinaldo "jamais foi notificado sobre qualquer inquérito a seu respeito e desconhece tal informação".

Também por nota, a Milclean disse que "recebeu com surpresa e indignação" a denúncia que teria feito pagamentos em espécies para a compra da empresa em 2021.

"A empresa esclarece que a compra foi acordada em 60 pagamentos, do quais 57 já foram feitos, e todos via transferência bancária", diz a nota.

"O Grupo Milclean se coloca à disposição da justiça para enviar todos os comprovantes e esclarecer toda e qualquer dúvida. O Grupo Milclean ainda reitera seu compromisso com a ética e com os valores que regem a empresa", completou a empresa.

Em reportagem do jornal 'O Estado de S. Paulo', publicada em janeiro, a Milclean informou que Reinaldo Carneiro Bastos deixou de ser sócio da empresa em 7 de julho de 2021, quando Otávio Alves Correa Filho comprou a sua participação total. Após essa data, o presidente da FPF “não possui qualquer vínculo com os contratos da empresa”.