27 de fevereiro de 2026
TAUBATÉ

IPTU: vereador retira assinatura e audiência se torna incerta

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/TV Câmara
Nunes Coelho, que votou a favor do projeto que resultou no aumento de IPTU, havia assinado pedido de audiência sobre o tema, mas recuou; oposição diz que isso ocorreu após pressão do governo

O vereador Nunes Coelho (Republicanos) solicitou nessa sexta-feira (27) a retirada da assinatura dele do requerimento que pede a realização, na Câmara de Taubaté, de uma audiência pública para debater o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Com isso, o evento se tornou incerto, pois o número mínimo de assinaturas deixa de ser alcançado e o requerimento da oposição terá que ser votado em plenário, onde o governo do prefeito Sérgio Victor (Novo) tem ampla maioria.

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No pedido de retirada, Nunes alegou que a "assinatura ocorreu por equívoco material, sem a devida análise técnica aprofundada do teor e dos desdobramentos do requerimento apresentado". Para a oposição, no entanto, o vereador do Republicanos foi pressionado pelo governo a retirar a assinatura. "Lamento a retirada da assinatura e avalio que a fato pode ter ocorrido em razão de uma possível pressão do governo do prefeito Sérgio Victor, uma vez que o vereador Nunes Coelho votou a favor do aumento do IPTU e da criação da taxa do lixo", afirmou o vereador Isaac do Carmo (PT), que é o primeiro subscritor do requerimento.

Nunes foi questionado pela reportagem, mas não se manifestou. O líder do governo na Câmara, vereador Bobi (PRD), disse desconhecer qualquer pressão para que Nunes retirasse a assinatura. "Da minha parte, [não houve] nenhum contato [com o Nunes]", afirmou. "Se eles [oposição] afirmaram [que houve pressão], são eles que precisam provar", completou.

Assinaturas.

O requerimento foi protocolado na quinta-feira (26), com assinatura de sete vereadores: Isaac do Carmo, Nunes Coelho, Diego Fonseca (PL), Douglas Carbonne (Solidariedade), Moises Pirulito (PL), Talita (PSB) e Vivi da Rádio (Republicanos). Desses parlamentares, apenas Nunes votou a favor do projeto de revisão da planta genérica, que resultou no aumento do IPTU.

Como o número de assinaturas (7) havia atingido um terço do número de vereadores (19), o requerimento seria considerado aprovado assim que fosse lido na sessão ordinária da próxima terça-feira (3).

Agora, como o requerimento ficará com seis assinaturas, terá que ser votado em plenário durante a sessão. Como o governo tem ampla maioria, a tendência é de que o pedido de audiência seja rejeitado.

Audiência.

No requerimento, os vereadores afirmaram que a revisão da planta genérica, que foi proposta por Sérgio e aprovada pela Câmara em novembro do ano passado, "resultou em aumentos significativos na base de cálculo do tributo no município, provocando elevação expressiva dos valores cobrados aos contribuintes", e que "inúmeros munícipes passaram a relatar aumentos considerados desproporcionais em seus carnês de IPTU, em alguns casos ultrapassando a capacidade financeira das famílias, especialmente aposentados, trabalhadores assalariados e pequenos proprietários, o que tem gerado insegurança econômica e risco de inadimplência tributária".

"O aumento abrupto da carga tributária municipal pode produzir efeitos sociais relevantes, como endividamento das famílias, judicialização em massa de cobranças tributárias, desvalorização indireta de imóveis e agravamento das desigualdades urbanas, especialmente em bairros periféricos e regiões com menor infraestrutura pública", acrescentou o requerimento.

Os vereadores alegaram ainda que "o valor venal dos imóveis deve observar critérios técnicos transparentes, compatíveis com a realidade socioeconômica local e com a efetiva valorização imobiliária, sendo imprescindível que a população tenha pleno acesso às metodologias utilizadas para a atualização da PGV [Planta Genérica de Valores] e aos parâmetros adotados pela municipalidade", e que na audiência será possível "esclarecer os critérios técnicos adotados pela Prefeitura, ouvir os munícipes afetados, avaliar possíveis distorções e discutir alternativas que assegurem equilíbrio entre arrecadação pública e justiça social".

IPTU.

Como houve a revisão da planta genérica no fim do ano passado, o imposto terá aumento de até 1.382%. Em toda a cidade, o aumento médio será de 99%. Porém, como haverá um limitador anual, serão aplicados aumentos anuais sucessivos de até 20% no imposto, até que todo o percentual seja atingido em cada imóvel.

A distribuição dos 140 mil carnês ainda não foi concluída. Mas, de forma online, já é possível consultar o valor que será cobrado em 2026 e também pagar o tributo. Basta clicar aqui. É necessário informar o número de inscrição do imóvel (BC) e CPF/CNPJ do proprietário para visualizar.

Os vencimentos iniciam em 10 de março. São três formas de pagamento: cota única com 10% de desconto em 10 de março; cota única com 5% de desconto em 10 de abril; ou em 10 parcelas mensais, entre março e dezembro, sempre no dia 10, sem desconto.

A taxa de lixo, que será cobrada pela primeira vez em 2026, virá no mesmo carnê do IPTU, em folhas de cor diferente. Para conferir o valor a ser pago de taxa de lixo, clique aqui. A Prefeitura criou uma página para esclarecer dúvidas sobre o IPTU e a taxa de lixo. Clique aqui para acessá-la.

Planta genérica.

A planta genérica, que define os valores do metro quadrado em cada via da cidade, não era atualizada desde 1997. Segundo a Prefeitura, 87% dos imóveis de Taubaté terão aumento no IPTU nos próximos anos - os demais ou terão redução ou não terão alteração.

Para 2026, a previsão é arrecadar R$ 190 milhões com IPTU, o que representa um aumento de R$ 22 milhões sobre o previsto no ano passado. Caso a revisão da planta genérica não tivesse sido aprovada, a Prefeitura estima que a arrecadação do imposto esse ano seria de R$ 175 milhões - ou seja, a diferença será de R$ 15 milhões.

Para 2027, a previsão é arrecadar R$ 216 milhões com IPTU. Em 2028, é de R$ 248 milhões. Em 2029, de R$ 286 milhões. Em 2030, de R$ 332 milhões. Em 2031, de R$ 387 milhões. Em 2032, de R$ 453 milhões. Em 2033, de R$ 532 milhões. Em 2034, de R$ 627 milhões. E em 2035, de R$ 741 milhões.