24 de fevereiro de 2026
APARECIDA

Monumento ‘Jesus Sem Teto’ é inaugurado no Santuário Nacional

Por Da redação | Aparecida
| Tempo de leitura: 4 min
Thiago Leon/Santuário Nacional
Dom Orlando Brandes (à esq.) e o monumento instalado na Basílica

O Santuário Nacional de Aparecida inaugurou no sábado (21) o monumento “Jesus Sem Teto”, que marca a abertura da Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”. O monumento, que se encontra no Jardim Norte, em frente à Torre Brasília, é assinado pelo escultor canadense Timothy Schmalz e faz parte da identidade da Campanha da Fraternidade deste ano.

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A cerimônia reuniu o cardeal Jaime Spengler, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), e dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, além de diversos outros religiosos, como padre Zezinho e padre Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional.

O monumento de bronze mostra um homem coberto por um cobertor, deitado ao relento, sem aparentemente ter uma identidade conhecida, porém, os pés descobertos com as chagas revelam o Cristo adormecido sobre o banco.

Padre Jean Poul Hansen destacou a dimensão evangelizadora da identidade visual da campanha: “Nela está expressa a missão evangelizadora da Igreja. A Igreja tem por missão anunciar por cima dos telhados o mistério de Cristo encarnado que veio morar entre nós para, por amor, nos salvar”.

Ele explicou que a missão inclui ajudar os fiéis a discernir onde Cristo se revela hoje, muitas vezes, como uma pessoa em situação de rua: “A imagem de Jesus Sem Teto é um desafio à proximidade. Não vale se aproximar só da imagem de bronze, vale se aproximar da imagem e semelhança de carne e osso que está no meio de nós e é presença do Cristo no nosso meio”.

O cardeal Jaime Spengler, após a bênção do monumento, afirmou que a fé exige compromisso: “Que coisa bonita nossa Campanha da Fraternidade que a cada ano nos chama, nos convida a refletir sobre um aspecto social que nos desafia a partir do ocular da fé. Que todos nós que contemplamos hoje aqui essa imagem possamos encontrar a inspiração para viver de uma forma ainda mais intensa, mais profunda, a fé que nos une no seguimento de Jesus”.

Padre Eduardo Catalfo relacionou o tema à realidade social: “O melhor lugar do mundo é a sua casa, a nossa casa, é onde a gente mora. A CF 2026 tem a sensibilidade de lembrar que nem todos nós temos moradia, nem todos nós temos um teto, ainda falta cidadania e dignidade para muita gente”.

“Ao acolher a imagem de Jesus Sem Teto, o Santuário Nacional, que é a Casa da Mãe Aparecida, se une a tantas pessoas que, através de gestos concretos, gestos grandes ou pequenos, se unem para promover, para oferecer, para criar oportunidades para tantas pessoas que sofrem, que vivem ao relento, sem moradia, sem dignidade de vida. Que a Campanha da Fraternidade traga luz e inspiração para as obras de educação e de assistência social do Santuário e da Arquidiocese de Aparecida”, completou.

Na sequência, dom Orlando Brandes ressaltou o impacto pastoral da CF: “A Campanha da Fraternidade vem confirmar tantos trabalhos no Brasil junto à população de rua e eu quero também dizer que esse texto está me convertendo e convertendo a dimensão social do Evangelho. Quero que todos que tocam nessa imagem toquem também em todos que não têm casa”.

Monumento.

Criado pelo escultor canadense Timothy Schmalz, o monumento “Jesus Sem Teto” é uma escultura em bronze em tamanho natural. A obra retrata Cristo deitado sobre um banco público, coberto por um manto que esconde o rosto e as mãos. Apenas os pés ficam visíveis, marcados pelas chagas da crucifixão. O realismo da peça reforça o contraste entre a fragilidade da cena e a identidade sagrada representada. A proposta artística se inspira no Evangelho de Mateus, capítulo 25, e convida o observador a reconhecer a presença de Jesus nos mais vulneráveis.

Desde sua criação, o monumento, conhecido internacionalmente como Homeless Jesus, já recebeu mais de 100 réplicas instaladas em diferentes países.

A primeira foi colocada no Regis College, em Toronto, no Canadá, nacionalidade do escultor. Há exemplares em locais como o Vaticano, a Catedral de Santiago de Compostela, o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, além de igrejas e espaços públicos nos Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido, Bélgica, Singapura e Israel e agora, no Santuário Nacional, em Aparecida (SP).

Em muitos desses locais, a imagem está posicionada em áreas de circulação, favorecendo a proximidade dos fiéis e peregrinos com o monumento.