20 de fevereiro de 2026
PRESO EM SÃO JOSÉ

Arquiteto preso em São José tinha 'troféu' da morte de policial

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Arquiteto preso foi identificado como Hélio Ramos Neto

Quando ainda era estudante de arquitetura, Hélio Ramos Neto, hoje com 38 anos, levava sempre na carteira o recorte de jornal com a notícia do assassinato do policial civil Yan Mílton Oliveira de Souza, morto em 2007 em Salvador (BA). Segundo a investigação da polícia, Hélio exibia o recorte a amigos como um troféu.

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Ele e outros três estudantes universitários foram presos e condenados pelo latrocínio (roubo seguido de morte) que culminou na morte do policial civil, que na época tinha 33 anos. Jovens ricos e estudantes de faculdades privadas, o grupo era conhecido na Bahia como “gangue dos universitários”.

Hélio tinha uma condenação definitiva de 20 anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de latrocínio e mais o de formação de quadrilha – ele tinha 19 anos na época do crime. A investigação apontou que foi ele quem desferiu o tiro de revólver que matou o policial civil.

Documentos mostram que o arquiteto vivia na condição de foragido há anos, embora exercesse um trabalho fixo em São José dos Campos, onde vivia desde 2012. Ele foi preso na cidade, sem oferecer resistência, na manhã desta quinta-feira (19), em um imóvel no Jardim Apolo 2, área nobre de São José.

Hélio foi preso em uma ação integrada entre a Polícia Civil da Bahia, a Polícia Militar de São Paulo e a Polícia Civil de São José, através da 3ª Delegacia de Homicídios do Deic/Deinter 1, que efetuou a prisão.

Condenação.

Em maio de 2008, os estudantes universitários Hélio Ramos Neto, Antônio Abreu Trindade Júnior, Luís Cláudio Holmes de Souza e Christian de Jesus Oliveira foram condenados pela Justiça pelo assassinato do policial Yan Mílton.

Os quatro foram condenados por latrocínio (roubo seguido de morte) e Hélio foi julgado ainda pelo crime de formação de quadrilha, com uma pena de 22 anos.

O crime aconteceu em frente à boate Fashion Club, na Orla de Salvador, na madrugada de 2 de setembro de 2007. Yan Mílton foi abordado pelos criminosos quando saía da boate e iria levar duas amigas até o carro delas. Durante a tentativa de roubo do veículo, um disparo de revólver calibre .38 atingiu o tórax do policial, que morreu no local.

A “gangue dos universitários” ou “bando do jet set” era formado por jovens da alta sociedade acusados de formarem uma quadrilha especializada em roubar carros de luxo, assaltos e tráfico de droga, além da morte do policial civil, durante um desses assaltos.

Filhos de pessoas abastadas e conhecidas na capital baiana, os jovens, de acordo com a polícia, tinham formado o bando por pura diversão e pelo prazer das emoções que os crimes lhes propiciavam.

A prisão.

Com a sentença transitada em julgado, foi determinada a prisão de Hélio para cumprimento da pena em regime fechado. Após deixar a Bahia, o arquiteto passou a ser considerado foragido da Justiça.

Segundo a investigação, o arquiteto estava em São José dos Campos desde 2012. Ele não ofereceu resistência no momento da abordagem. De acordo com o boletim de ocorrência, ele foi abordado no hall do condomínio residencial, sendo a diligência realizada sem qualquer intercorrência.

A esposa do arquiteto encontrava-se presente no momento da abordagem e compareceu à unidade policial. O mesmo ocorrendo com os pais do arquiteto, que também estiveram na delegacia especializada, podendo manter contato com o capturado.

Após ser preso pela polícia em São José, nesta quinta-feira, Hélio será submetido a exame de corpo de delito e posteriormente encaminhado ao Centro de Triagem de Caçapava, para depois ser apresentado em audiência de custódia perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto.