Cena de filme de terror.
Foi assim que a professora Marcelle Araújo, 23 anos, descreveu a situação no Jardim Imperial, na zona sul de São José dos Campos, após o surgimento de uma imensa cratera na rua Felisbina de Souza Machado, provocando a interdição de um prédio e de casas.
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Moradora do residencial Jardins de Sevilha, Marcelle e o marido tiveram que deixar o apartamento e ir para a casa de parentes devido ao problema. A cratera surgiu após as fortes chuvas que atingem a cidade neste início de ano.
São 34 apartamentos e quatro casas que seguiam interditados na manhã desta segunda-feira, como medida de segurança diante dos riscos. Ao todo, 156 pessoas estão desalojadas e foram abrigadas na casa de parentes e amigos.
A Defesa Civil e agentes da Prefeitura de São José fazem, na manhã desta segunda, uma avaliação técnica na cratera que se abriu na via. O problema aconteceu na tarde de sábado (7) e obrigou os moradores a deixarem os apartamentos. Eles puderam voltar no domingo (8) para pegar alguns pertences.
“Eu não estava em casa e meu marido estava trabalhando. Eu estava na zona leste e mandaram no grupo que era uma cratera pequena quando abriu. Uma hora depois virou o buraco enorme que está até hoje”, disse Marcelle.
“Quando soube, peguei uma condução e vim ver minha casa. Cheguei e era cena de filme de terror: chovendo no prédio, muito barro, luzes piscando, muita gente chorando e desesperada, muita gente sem conseguir pegar nada em casa e saiu só com a roupa do corpo”, afirmou.
“Eu consegui pegar mochila com roupa e sair. Na hora, dentro do prédio, começaram a gritar para sair, e passou alguns minutos e houve a interdição do prédio”, contou a moradora.
A rua Felisbina de Souza Machado já teve um problema recente de cratera. Há duas semanas, um grande buraco se abriu na via e engoliu um caminhão. A distância entre as duas crateras é de 250 metros.
Marcelle contou que há moradores que não tinham parentes em São José e tiveram que sair da cidade. O clima é de insegurança e medo.
“Conseguimos ver que a parte de bicicletário e do estacionamento parece que está com problema. A gente teme que caia tudo por lá. Meu apartamento é do lado da cratera, não sabemos como está a erosão debaixo da terra. Situação muito difícil. Temos medo do risco. Por outro lado não podemos ficar fora de casa por muito tempo. Esperamos que haja uma data definida para a gente retornar.”
Marcelle disse que os moradores esperam uma posição da Prefeitura sobre a real dimensão do problema, o risco que os apartamentos correm e como e quando a cratera será fechada.
Até o momento, não há previsão de quando as famílias dos imóveis interditados poderão voltar para casa. A cratera é analisada por técnicos da Prefeitura, da Defesa Civil e das concessionárias de água, gás e energia. A análise busca entender o que provocou o afundamento do solo e se há novos riscos para a área.
O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), se pronunciou oficialmente sobre a cratera no bairro Jardim Imperial. Ele garantiu que a Prefeitura acompanha o caso de forma direta e permanente, com início de uma obra emergencial ainda nesta semana.
“A nossa prioridade absoluta é a segurança das pessoas. Assumo, como prefeito, o compromisso de acompanhar pessoalmente este caso até a sua completa solução”, declarou.
De acordo com Anderson, a obra emergencial já está autorizada e programada para começar nos próximos dias. Ele ressaltou que, embora se trate de uma intervenção de resposta imediata, a solução adotada será definitiva. “A intervenção é emergencial, mas deixo claro: a solução que será executada é definitiva, para garantir a estabilidade do solo e a segurança da área”, afirmou.
Enquanto as obras não têm início, a Prefeitura informou que mantém uma série de medidas em andamento, como o monitoramento técnico contínuo da região afetada, o apoio direto às famílias impactadas e a manutenção das interdições e demais ações preventivas necessárias.
Por fim, Anderson Farias reforçou que a gestão municipal seguirá atuando de forma transparente e próxima da população. “Governar também é estar presente nos momentos difíceis. Estamos tratando esta situação com a seriedade que ela exige, com responsabilidade, transparência e respeito às pessoas. A Prefeitura de São José dos Campos segue presente, ao lado dos moradores do Jardim Imperial”, concluiu.