01 de fevereiro de 2026
CONFLITOS VIOLENTOS

Polícia investiga guerra entre gangues na zona leste de São José

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Polícia Civil
Local da tentativa de homicídio em São José dos Cam

A Polícia Civil esclareceu uma série de crimes e atentados a tiros relacionados a conflitos entre dois grupos rivais na zona leste de São José dos Campos, iniciados em julho de 2022, mas com desdobramentos recentes.

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Nesta sexta-feira (30), a Justiça determinou a prisão preventiva de um dos membros dessa guerra. Com 23 anos, o investigado já havia sido preso anteriormente, mas obteve liberdade provisória. Ele acabou sendo preso por trafico de drogas, e teve um novo pedido de prisão preventiva, desta vez concedida pela Justiça.

O caso deriva de um inquérito policial instaurado para apurar uma tentativa de homicídio em agosto do ano passado. Na ocasião, policiais militares foram acionados após um homem ter sido baleado.

J. V. B. foi vítima de tentativa de homicídio em via pública, na rua Charles Diamond, nas cercanias do Edifício Condomínio Fatto Acqua, em São José dos Campos.

A vítima foi alvejada por disparos de arma de fogo após sair de uma festa, sendo socorrida consciente ao pronto-socorro do Hospital Municipal de São José, na Vila Industrial, com ferimentos no queixo, pulso e coxa.

No local do crime, foram encontrados projéteis, estojos de munição e um dente da vítima, além do celular que havia sido supostamente levado. A perícia identificou estojos de calibre 32.

Enquanto estava internado no hospital, J. foi ouvido pela polícia sobre os fatos e relatou que, no dia 15 de agosto de 2025, por ocasião do aniversário de seu afilhado de 7 anos, decidiu retornar ao bairro que havia deixado devido a uma tentativa de homicídio anterior.

A festa ocorreu no salão de festas do condomínio. Ao término, ao se dirigir para o seu veículo, J. encontrou um indivíduo de blusa preta e capuz, sentado em um banco próximo à praça, que aparentemente o aguardava.

Ao ser visualizado pelo suspeito, este sacou uma arma e correu em sua direção, momento em que J. tentou fugir, sendo atingido por um disparo na coxa. Ao cair, foi alvejado novamente no pulso e no queixo.

Ele buscou ajuda de entregadores e familiares que estavam próximos, sendo socorrido e levado à portaria do condomínio. J. afirmou que a intenção do autor era matá-lo, negando qualquer hipótese de tentativa de roubo, pois não houve subtração de bens e o ataque ocorreu antes de ele alcançar seu veículo.

Os investigadores descobriram que o crime contra J. está inserido em uma série de conflitos entre dois grupos rivais da zona leste de São José dos Campos, iniciados em julho de 2022.

Na ocasião, Igor Escobar, amigo de J.V., foi ao “fluxo” com sua namorada e outro amigo, encontrando no local um homem que lhe devia R$ 100. Após cobrar a dívida, uma discussão entre os grupos levou a um tiroteio, resultando na morte de Gabriel Roberti e ferimentos na namorada de Igor, que foi preso em flagrante pela morte de Gabriel, enquanto E. Y. (conhecido como Japa) foi apontado como autor dos disparos contra a namorada dele.

Segundo a polícia, as armas utilizadas pertenciam a G. C. e R. N., este último tendo herdado o armamento de seu irmão, também morto em 2022.

Em setembro de 2022, J. sofreu uma tentativa de homicídio ao ser alvejado na virilha ao entrar em seu carro, na frente de sua casa. O ataque foi considerado uma vingança pela morte de Gabriel Roberti. J. reconheceu G. C. como autor dos disparos e proprietário da arma usada por Japa, que foi preso no final do ano passado.

A investigação resultou em mandado de busca e apreensão contra G. C., que não foi localizado. No entanto, foram presos R., T. e apreendido G., irmão de G. C.. Em 2023, novos disparos foram feitos contra a casa de Japa, sem registro policial. Para a Polícia Civil, isso indicava que os envolvidos preferiam resolver os conflitos sem intervenção das autoridades.

A guerra entre os grupos continuou, culminando na morte de Igor Escobar em novembro de 2023, alvejado por três disparos. A motocicleta usada no crime foi apreendida na casa de K. L., sendo atribuída a B. e R., como autores. R. é quem teve a prisão preventiva decretada nesta sexta.

“Esses eventos demonstram a escalada de violência entre os grupos, com ataques sucessivos e represálias. O atentado contra J.V. em 2025 é mais um capítulo dessa disputa, evidenciando que os envolvidos estão dispostos a matar uns aos outros, e que os crimes têm motivações pessoais e conexões diretas com os episódios anteriores”, analisou a Polícia Civil.