Baleado na cabeça por um policial militar em São José dos Campos, Carlos Alberto Chagas Júnior, 21 anos, teve a morte cerebral confirmada nesta semana e todos os órgãos doados, podendo ajudar a salvar até oito vidas, segundo familiares. “Carlos salvou muitas pessoas”, disse a tia do joseense.
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Ele deixa um filho pequeno e a mulher grávida. Segundo a tia, ele estava desempregado e iria começar um trabalho como ajudante de pedreiro na última segunda-feira (26), um dia depois de ter sido baleado.
Carlos Alberto foi socorrido e internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal, onde estava em coma. Na terça-feira (27), a equipe médica confirmou a morte cerebral. Os pais decidiram permitir a doação dos órgãos do filho.
A tia informou que o corpo de Carlos Alberto deve ser liberado do hospital nesta sexta-feira (30). Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.
De acordo com o Hospital Municipal de São José dos Campos, o procedimento de retirada dos órgãos foi conduzido pela equipe da OPO (Organização de Procura de Órgãos), em parceria com profissionais do hospital.
Foram captados o coração, os pulmões, os rins, o fígado e as córneas, totalizando oito órgãos e tecidos, que ajudaram a melhorar as condições de vida de até oito receptores que aguardavam na fila de doação.
Carlos Alberto morreu dias após ter sido baleado na cabeça por um policial militar. Ele estava em uma moto com registro de furto e sem capacete quando desobedeceu a ordem de parada. Na sequência, foi atingido por um tiro na cabeça. O caso aconteceu na noite de domingo (25), na região sul da cidade, e segue em investigação.
“Ele trabalha de motoboy, tem filho de 2 anos e esposa está grávida. Ia começar trabalho de ajudante”, afirmou a tia, que pede justiça para o caso. “Meu sobrinho foi morto covardemente. Ele não estava armado como andam dizendo. Esperamos que a investigação mostre a verdade”.
A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães, e terminou com disparos e colisão com veículo estacionado.
No documento, a Polícia Civil registra a ocorrência como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconhece a existência de legítima defesa na intervenção do agente estatal. O texto ressalta que eventual excesso poderá ser verificado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente com a análise de imagens de câmeras corporais.
O boletim também aponta que uma equipe de apoio localizou uma arma de fogo caída no chão, próxima ao local onde Carlos Alberto tombou, sendo o material apresentado e devidamente lacrado. Trata-se de um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros, que no BO foi relacionado ao suspeito.
A ocorrência também registra a apreensão de armamento relacionado ao policial que efetuou os disparos. A conduta do policial que atirou em Carlos Alberto é investigada pela Corregedoria da Polícia.
A família contesta a versão de que o jovem estaria armado. “A moto que ele estava seria de um amigo que ele pegou para dar uma volta. Ele deu fuga, sabemos que fez errado, mas estão falando que ele estava armado. Ele não atirou”, disse a tia.
Nas redes sociais, parentes lamentaram a morte do jovem de 21 anos. “Meu coração está em pedaços. Nunca imaginei que precisaria me despedir de você tão cedo, meu sobrinho. Dói de um jeito que não tem explicação. Você foi luz e deixará uma saudade eterna”, disse outra tia do joseense.
“Descanse em paz, meu anjo. O laço que nos unia sempre terá um espaço no meu coração. Saber que partiu mexe comigo, mas lembrarei para sempre da sua alegria. Sua ausência pesa, mas o amor que compartilhamos é eterno. Vou honrar sua memória vivendo com a coragem que você me ensinou. O céu ganhou um anjo guerreiro. Que Deus nos dê forças para seguir sem você, meu querido sobrinho”, afirmou.