10 de julho de 2026
LUTO NA REGIÃO

Morre Sayuri Carbonnier, que viveu em Taubaté e conheceu o mundo

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Sayuri Carbonnier nasceu em 1940 e ainda criança se mudou para Taubaté

Filha de imigrantes japoneses, Sayuri Carbonnier nasceu em 1940 em Cotia, na Grande São Paulo, e ainda criança se mudou para Taubaté, onde a família construiu uma propriedade rural.

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Os parentes cuidavam de um alambique na capital paulista. Em vez de cachaça, porém, os barris ou tonéis serviam à produção de óleo de menta para fins medicinais a partir de plantação de hortelã.

Todos moravam na roça e Sayuri tinha que caminhar todos os dias sete quilômetros para chegar até a escola. Ela sempre gostou de estudar e conseguiu alçar voos maiores.

Formou-se em ciências naturais – o equivalente hoje ao curso de biologia – na USP (Universidade de São Paulo) e foi a primeira mulher de sua geração na família a cursar o ensino superior.

Deixou o país durante a década de 1960, na esteira do golpe que instaurou a ditadura militar. Era comunista, ajudava membros do partido e decidiu sair quando percebeu que alguns de seus amigos estavam desaparecendo.

Passou por Chile, Estados Unidos e conheceu seu ex-marido, natural da Suécia, onde também morou, durante uma passagem pela Itália.

O casal, que se divorciou no início dos anos 2000, teve os filhos Henrik e Jean-Paul. O primeiro nasceu em Roma; o segundo, em Vitória (ES). Por alguns anos a família viveu entre o Brasil e a Argentina. Mas logo se estabeleceu na Inglaterra.

Sayuri nunca teve dificuldades para aprender, qualidade que a levou a atuar como consultora em economia para a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) e também para Organização Internacional do Café, sediada em Londres. Também gostava de escrever e chegou a fazer trabalhos jornalísticos.

Dona de um gênio forte e uma inteligência ímpar, devorava produções culturais e nunca dispensou o bate-papo. Por onde passava deixava um sentimento agregador. "Ela construía pontes, tinha facilidade de fazer amizades. Tinha uma honestidade brutal", conta o filho Henrik.

Nos últimos anos dedicou-se a ajudar aqueles que se mudavam para a Inglaterra para estudar. Transformou espaços de sua casa em Londres em pequenos quartos disponíveis para aluguel. Alguns passaram anos por ali e faziam questão de manter contato até hoje.

Sayuri morreu em 25 de janeiro. Deixa os dois filhos, noras e as netas Lara, Liv e Sienna Carbonnier e o neto Leo Carbonnier.

* Com informações do jornal Folha de S.Paulo