01 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

Fiscalizar não é crime: é prerrogativa constitucional

Por Anderson Senna (PL) | Vereador em São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
São José dos Campos

Em tempos de redes sociais, transparência total e câmeras em cada bolso, a relação entre o vereador e o poder público mudou — e mudou para sempre. Hoje, não existe mais espaço para a velha lógica de fazer tudo longe dos olhos da população. Quem representa o povo precisa estar onde o povo está: nas ruas, nas UBSs, nos hospitais, nas escolas, nas obras que usam o dinheiro suado dos joseenses.


Ainda assim, toda vez que um vereador aparece fiscalizando, ou simplesmente registrando um problema, é comum ver uma reação automática, quase ensaiada: a tentativa de desmerecer o mensageiro para desviar do foco verdadeiro — a mensagem.

É um padrão.  É uma estratégia. É uma forma de intimidar.

Quando mostramos uma UBS com goteiras, dizem que “queremos aparecer”.
Quando fiscalizamos uma obra atrasada, afirmam que “politizamos o assunto”. Quando questionamos contratos, prazos e qualidade, tentam nos pintar como “criadores de caso”.
Mas quando o vereador se cala? Ah… quando o vereador se cala, dizem que “não faz nada”.

É a clássica armadilha de quem tenta transformar o fiscalizador no problema, ou seja o problema não é a obra atrasada é o vereador fiscalizando.

A missão constitucional que muitos fingem não ver

O Regimento Interno da Câmara é claro. A Constituição é clara. O papel do vereador é claro: legislar, acompanhar, fiscalizar e cobrar. Eu sempre me declarei um aliado da cidade, todavia, não existe mandato sem fiscalização. É preciso habilidade em ouvir a população, afinal não existe compromisso com o povo se não houver vigilância constante, presencial, direta — e, sim, registrada.

Se antes os vereadores eram cobrados em cartas, telefonemas e visitas ao gabinete, hoje a cobrança vem em tempo real, na velocidade do feed: o joseense grava, aponta, expõe e exige resposta. A população não quer cortesia. Quer resultado. Quer melhoria. Quer solução.

E, na verdade, a Prefeitura também deveria querer isso. Porque não existe gestão inteligente que tenha medo da crítica construtiva. Não existe cidade moderna que não acolha o olhar atento de quem fiscaliza. O cidadão que critica está participando. E quem fiscaliza está fazendo o que foi eleito para fazer.

A única pessoa que se incomoda com o celular gravando é quem não quer que o problema apareça.
Não é de hoje que vemos uma narrativa pronta:
— “É político querendo lacrar.”
— “Está fazendo vídeo para aparecer.”
— “Isso é politicagem.”

Essa resposta automática serve para uma coisa só: empurrar o assunto para longe do mérito.
Porque é muito mais fácil tentar descredibilizar o fiscalizador do que corrigir o problema fiscalizado. É mais simples atacar o vereador do que admitir falhas, atrasos, erros de planejamento ou execução.

Mas essa tática tem um problema: o joseense não é bobo.

Aliás, o joseense é exigente, observador e atento.
Ele não quer saber se a Prefeitura gostou ou não do vídeo. Quer saber se o Hospital irá consertar a infiltração, se a obra será entregue no prazo, se tem vaga na creche, se tem Guardas nas ruas, se vai ter remédio na UBS, se o serviço de saúde vai melhorar.
E é justamente esse tipo de cobrança que deveria unir — não afastar — legislativo e executivo.

A fiscalização não atrapalha a Prefeitura. A omissão sim.

Alguns parecem acreditar que o vereador que fiscaliza quer prejudicar o governo. Quando, na verdade, é o contrário. Apontar falhas é ajudar a corrigir. Denunciar atraso é acelerar solução. Mostrar problema é defender o povo.

A crítica construtiva não enfraquece São José dos Campos. A omissão sim!
Prefeitura forte é aquela que acolhe o olhar fiscalizador, não a que tenta deslegitimá-lo.

Governos passam. Secretários passam. Mandatos mudam.
Mas a cidade fica. E quem realmente ama a cidade quer vê-la melhorar.

A era das redes sociais mudou tudo — inclusive para melhor

Hoje, o povo mostra o problema antes mesmo que o vereador chegue. Vídeos viralizam. Reclamações circulam. Fotos expõem realidades que antes ficavam escondidas em corredores e relatórios internos.
E isso é maravilhoso para a democracia. É incômodo para quem quer esconder. Mas é libertador para quem quer melhorar.

As redes sociais não são palco. São ferramenta. São aceleradoras de solução, e não atrapalhadoras da gestão pública. Quem teme rede social teme a luz da transparência.

Fiscalizar não é atacar. Fiscalizar é servir.

A cidade inteligente que tanto ouvimos falar precisa ser mais do que tecnológica. Precisa ser inteligente também na maneira de lidar com críticas, sugestões e principalmente de cuidar de pessoas.

A cidade inteligente que o joseense merece é aquela que entende que:

— Registrar não é “lacrar”.
— Gravar não é “aparecer”.
— Mostrar falha não é “derrubar”.
— Fiscalizar é trabalhar.
E aqui deixo uma reflexão que vale mais do que qualquer discurso:
se a fiscalização está incomodando, talvez o problema não esteja em quem fiscaliza, mas no que está sendo fiscalizado.

Porque bom mesmo… é ter liberdade para ajudar São José a melhorar


O slogan oficial diz: “Bom mesmo é morar em São José.”
Eu concordo. Mas acrescento algo importante:
Bom mesmo é morar em uma cidade onde o vereador pode fiscalizar sem ser intimidado, onde o cidadão pode criticar sem ser desmerecido, e onde a Prefeitura entende que o apontamento de hoje é a melhoria de amanhã.
Porque o que faz São José ser um lugar tão bom para viver não é esconder problemas. É resolvê-los.
E enquanto eu tiver mandato, voz e responsabilidade com o povo que me elegeu, continuarei fazendo exatamente o que a lei manda e o que o joseense espera:
“fiscalizar, registrar, cobrar e propor bons projetos de lei  — sempre com postura institucional e compromisso com a verdade.”

*Anderson Senna (PL) é vereador em São José dos Campos