A mobilização de grupos e apoiadores alinhados ao bolsonarismo tomou as ruas de diversas cidades brasileiras neste domingo, inclusive em Bauru, com um conjunto de atos reclamando da situação jurídica de condenados pelos atentados de 8 de janeiro de 2023 e, em especial, defendendo reivindicações ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em Bauru, o protesto aconteceu na manhã deste domingo (25), na avenida Getúlio Vargas, nas proximidades da rotatória da Polícia Federal, liderado pelo vereador Eduardo Borgo (Novo).
Convocados por líderes e parlamentares de direita, os protestos ocorreram também em capitais como Brasília e São Paulo, com participações de simpatizantes que pediram prisão domiciliar para Bolsonaro, redução das penas dos condenados pelo 8 de janeiro e anistia ampla ou parcial para esse grupo.
Em Brasília, manifestantes ligados ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares reforçaram o apelo por maior benevolência do sistema de Justiça sobre os condenados pelos atos golpistas — incluindo pedidos de mudança de regime para prisão domiciliar ou até anistia, discurso que tem circulado entre lideranças do bloco conservador.
A concentração ocorreu próximo à Catedral de Brasília e depois seguiu em direção ao Congresso Nacional, com cartazes e faixas que alternavam entre chamadas por “liberdade” e críticas às instituições que garantiram as condenações.
Manifestação em São Paulo com pauta ampla
Na Avenida Paulista, tradicional palco de protestos políticos no país, o apoio a Bolsonaro e aos julgados por 8 de janeiro também foi explícito. Participantes estenderam a pauta para incluir a defesa do ex-presidente — atualmente cumprindo pena de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado — e solicitaram a sua transferência para prisão domiciliar, citando motivos de saúde e humanitários.
No ato paulista, a defesa de Bolsonaro se misturou com apelos por anistia aos detidos dos ataques e com críticas duras ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a narrativa de perseguição política que tem circulado entre setores da direita radical.
Contexto político e jurídico dos condenados do 8 de janeiro
Os protestos ocorrem no contexto de um cenário jurídico complexo: o STF já condenou centenas — e segundo balanços atualizados, mais de mil — acusados por envolvimento nos atos golpistas que atacaram as sedes dos Três Poderes em Brasília em 2023, resultando em cerca de 179 pessoas presas atualmente, incluindo parlamentares, militares e aliados próximos de Bolsonaro.
Entre as condenações estão penas severas para o ex-presidente e outros membros de seu círculo político, que foram responsabilizados por crimes como tentativa de golpe, associação criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.