O 15 de janeiro, como marca o calendário hoje, é considerado Dia Mundial do Compositor, este ser criador que transforma em música os barulhos da mente, sejam ideias ou sons. Inserido neste grupo e em véspera do show de lançamento do seu quarto disco, no qual desabafa impressões sobre o mundo e questões cotidianas das mais íntimas aos humanos, Luiz Silva, da banda joseense Alarde, diz que compor é ter “voz perante o mundo”; é, ainda para ele, expressão que cura e ganha novas formas conforme experiências pessoais evoluem. Seu conselho a quem desperta à vocação? “Não se satisfaça com pouco!”
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Com show gratuito marcado para as 20h desta sexta, dia 16, no Sesc Taubaté, o letrista, guitarrista e vocalista se apossa do microfone para apresentar o “Meu Nome É Segredo”, álbum que ele brinca ser um rock que caminha ao “pop noia” –mas que é poesia pura de quem vê o mundo em múltiplas dimensões, sem perder a esperança por dias melhores.
“Minhas letras são meus instrumentos de tratamento e cura sobre meus próprios sentimentos. Com olhar, porém, observador e reflexivo do mundo que me cerca. É um processo introspectivo, mas que transcende o ‘eu’ e desnuda verdades coletivas absolutas. Por isso se comunica com outras pessoas, que se identificam com letras e mensagens transmitidas”, resume. De fato, é música que conecta.
Junto aos demais integrantes do grupo (o irmão Rodrigo Silva, baterista, e os músicos de São Paulo Rodrigo Mazza, guitarrista, e Marcelo Sanches, baixista), o frontman convida o público a olhar para dentro de si em diferentes momentos, como em “Crise Moral”, que faz pausa após instigar: “Diante do espelho, diz quem você é”. É um disco que sente o mundo, mas pede autoanálise para libertação e alcance do porvir próspero de sentimentos bons.
“Compor poesia e música de forma livre, artisticamente, é encarar os sentimentos e dores de forma crua. Quanto mais honesto se é consigo, mais verdadeira é a letra e a canção. Compor é espiritual, é autoconhecimento, é voz do indivíduo perante o mundo à sua volta”, define o músico, que conta ter fomentado na adolescência a ambição de escrever músicas.
Hoje já com pés na casa dos 40 anos, ele chega ao quatro disco autoral, com a banda que fundou com o irmão, cantando frases como “finalmente chegou o grande dia de me tornar tudo o que eu sonhei”, de “Como um Imã” (música sobre curar feridas e atrair sonhos), ou “não troco minha voz; o meu violão… misturo sonhos, meus desejos”, de “Canção da Viagem”. É um incentivo a quem olha para a frente sem deixar o passado desanimar.
“Ideias engavetadas são normais; algumas ainda têm chance de lapidação, outras ficam guardadas mesmo, pois serviram somente ao processo”, diz, a quem tem sonhos travados. “Aos novos compositores, o único conselho é ler, escrever, treinar, testar, se provocar… Não se satisfazer com pouco, ir ao limite e ao além do além!”, continua, fazendo referência, neste último termo, a uma fala de Lanny Gordin (1951-2023), guitarrista lendário da MPB que o incentivou e foi parceiro musical do grupo. “Escrever letras em português dentro da estética rock-MPB-experimental sempre foi um desafio muito atraente para mim. Apostei.”
E se chegar ao quarto disco pressupõe um amadurecimento musical, a avaliação dele sobre a evolução de “Oitoitenta” (2009), álbum de estreia, a “Meu Nome É Segredo” (2025) é de haver nova preocupação no processo criativo: “Minha construção das letras foi ficando mais focada na fonética das palavras e no sentimento que elas carregam, nem tanto no significado em si. Mas a mensagem sempre está lá! Já os arranjos evoluem conforme a nossa experiência musical e a estética escolhida para compor cada canção”.
Entre um e outro trabalho, a banda lançou os discos “Abismo ao Redor” (2014) e “Destruir o Ego” (2019), com sucessos que também serão lembrados no show desta sexta, no Sesc Taubaté, como pedem os que acompanham o grupo desde o início. Todos os álbuns já estão em plataformas digitais populares. “A evolução das letras se revela na capacidade de sintetizar ideias e reflexões. Hoje entendo que quanto mais simples, melhor”, finaliza Silva.
SERVIÇO - ALARDE “MEU NOME É SEGREDO”
Sesc Taubaté - gratuito - livre
Dia 16/01 (sex.), às 20h, entrada franca. No Sesc Taubaté (av. Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1.264, Esplanada Santa Terezinha, Taubaté-SP). Bar local. Na marquise (sem assentos). Sem retirada de ingressos antecipada. Classificação etária livre. Grátis. Com participação especial do trompetista Rafa Jarcem.
Também de São José dos Campos, Cinthia Jardim se apresenta como cantautora: uma cantora que é compositora. Idealizadora de projetos que valorizam a mulher na música, com estímulo à exposição do trabalho autoral de novatas e veteranas, a artista pede para que as aspirantes com vocação não se intimidem nem desistam de ganhar espaço entre letristas ou musicistas criativos. “Ainda temos um cenário muito masculino, por questões estruturais, e é preciso se impor. Mesmo que não saiba tocar um instrumento, se é letrista e tem ideias, comece!”, diz.
No ano passado, a cantautora lançou o disco “23” (disponível no Youtube), com composições próprias. Autorais, já lançou ainda o show “Montanha Russa” (2015) e os álbuns “Beba o Novo” (2010) e “Cena de Mulher” (2008).
“Eu venho de um combo: desde a infância fui muito nutrida de música e sempre li muito. Escrevia em diários e comecei a compor poemas, que foram virando músicas. Então eu conseguia entregar uma música com harmonia pronta na minha cabeça, ainda que não estruturada em questões técnicas, para depois receber o trabalho de arranjos”, encoraja.
A questão é, primeiro, se entender compositora. “Claro que ouvi muitas críticas por isso, e hoje consigo separar aquelas que foram construtivas. Agora busco este conhecimento em teoria musical e sou da opinião de que é importante, sim, para o desenvolvimento.”
Compor, para ela, é desabafo. “A música, para mim, alivia. E isso pode ocorrer na alegria, também, não só na dor.” Por isso, Cinthia orienta quem segue a mesma trilha a compor com sentimento. “E nutra-se sempre de muita música, em vários estilos; estude música e, sobretudo, leia. Leia! Ler aumenta vocabulário, repertório. Não adianta criar se adequando ao que parece levar ao sucesso, não vejo assim. Tem de escrever com a sua verdade.”