09 de julho de 2026
FESTA LITERÁRIA

Flim tem protesto e movimento abaixo do esperado em São José

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Instagram
Portal de entrada de espaço da Flim, no Parque Vicentina Aranha

A 11ª edição da Flim (Festa Literomusical de São José dos Campos) teve público abaixo do esperado nesse sábado (29), no Parque Vicentina Aranha. O dia marcou o primeiro com programação completa da festa depois do show de abertura na noite de sexta-feira (28).

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Participantes notaram que a festa deste ano tem movimento menor do que em edições anteriores, ao menos até 12h deste domingo (30). A programação segue até o final do dia.

“Sei que 12h30 não é um horário com eventos principais na Flim, mas o parque deveria estar muito mais cheio. Passei por uma tenda e estava completamente esvaziada. Os artistas, atores e poetas falando para meia dúzia de pessoas”, disse Edilene Faria, que mantém perfil no Instagram para falar sobre livros.

Ela gravou um vídeo para mostrar a festa com pouco movimento. As imagens foram publicadas nas redes sociais. “É muito triste o que está acontecendo com o maior evento de literatura e música de São José dos Campos”, afirmou.

“Todo apoio, admiração e solidariedade aos autores e artistas do evento. Ninguém tem culpa do que aconteceu com a edição cancelada, exceto o prefeito”, disse Edilene.

A Flim era para ter sido realizada em setembro deste ano, mas acabou adiada após veto do prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), à jornalista Milly Lacombe. O caso gerou polêmica e uma onda de cancelamentos dos participantes.

O evento foi remarcado para os dias 28, 29 e 30 de novembro, com nova programação, dando mais espaço a autores locais do que de fora. A abertura da edição contou show do o ator e multiartista Silvero Pereira, que também estava programado para se apresentar na edição suspensa. Houve público no local, mas abaixo se comparado com outras edições.

De acordo com participantes, o público de sábado (29) também foi menor do que outras edições, quando a rua em frente ao parque era fechada para realização de atividades culturais, o que não aconteceu neste ano.

Além do esvaziamento, manifestantes realizam do lado de fora do parque a “Ocupa Flim”, evento paralelo em protesto ao cancelamento de Milly na primeira versão da festa deste ano. O episódio ainda repercute negativamente na comunidade artística de São José dos Campos.

“A Flim foi cancelada, em minha cidade, porque o prefeito censurou a vinda da Milly Lacombe. Dois meses depois, o que eu vi foi um evento esvaziado”, escreveu Edilene em um comentário no Instagram.

“A Flim que se apresenta não é celebração. É afronta. É desserviço à liberdade e à democracia. Não podemos estar e nem celebrar uma Flim assim proposta após a censura de uma escritora por desculpas de falsa ‘moralidade’”, diz postagem do Fórum de Cultura de São José dos Campos.

Administradora do Parque Vicentina Aranha e organizadora da Flim, a Afac (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura) informou que um balanço de público do evento deve ser fechado ainda neste domingo (30).