11 de julho de 2026
PRESO EM MINAS

Candidato a vereador de SJC preso defendia Deus, pátria e família

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Facebook
Eduardo Guedes em foto ao lado de Jair Bolsonaro

O ex-candidato a vereador de São José dos Campos Eduardo Guedes da Cunha, 42 anos, que está preso em Minas Gerais por roubo e posse de drogas para consumo pessoal, apresenta-se como um ativista e defensor de valores conservadores, segurança pública e família tradicional.

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Ele defendeu o slogan 'Deus, pátria e família' e tentou colar sua imagem  ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente condenado por tentativa de golpe de Estado.

No Instagram, em cujo perfil tem 64 mil seguidores, Eduardo fez diversas publicações antes das eleições de 2024, quando tentou se eleger vereador pelo partido Avante, obtendo 423 votos.

“Se Deus quiser vamos defender nossa família, nossos valores e princípios como nosso presidente Bolsonaro”, escreveu ele em uma postagem de 17 de setembro de 2024.

Eduardo também divulga conteúdo cristão e com mensagens ligadas à espiritualidade. “Deus é maravilhoso. Quando estou triste Deus me manda sinal sempre”, disse ele numa publicação de 1º de novembro deste ano.

“Agradeço por cada lição, cada conquista, cada sorriso e também por cada lágrima que me ensinou a ser mais forte. Que este novo ciclo venha cheio de paz, amor, sabedoria e realizações. Que Deus continue guiando meus passos e me capacitando para viver os planos que Ele tem para mim. Parabéns pra mim!”, escreveu ele no dia do aniversário.

Eduardo também publicou diversas postagens com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e políticos de esquerda.

Prisão.

Eduardo e o também joseense Ricardo Coutinho de Souza foram presos por roubo e posse de drogas para consumo pessoal no último dia 12 de novembro, na cidade de Pavão (MG), próximo a Teófilo Otoni.

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais, a dupla teria invadido a residência de uma mulher identificada como Daniela Mendes, se passando por policiais e portando armas.

A vítima relatou ter sido rendida, ter a casa revirada e obrigada a desbloquear um celular para que os suspeitos realizassem um Pix de R$ 550, além de terem levado dinheiro e o próprio aparelho.

Eduardo teve seu pedido de habeas corpus negado pelo TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), permanecendo detido em unidade prisional do estado. O mesmo aconteceu com Ricardo.

Ambos passaram por audiência de custódia em 14 de novembro, quando tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva "para a garantia da ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal".

Segundo o TJ-MG, a defesa de Eduardo e Ricardo ingressou com um habeas corpus, com pedido liminar, para tentar a liberdade provisória antes do julgamento do processo penal.

Contudo, liminarmente, o pedido foi negado em 19 de novembro pela justiça mineira. Ainda não há data agendada para o julgamento do mérito do habeas corpus no TJ-MG, informou o Tribunal.

Eduardo e Ricardo foram encaminhados para o presídio de Teófilo Otoni, onde aguardam o andamento do processo. Segundo o TJ-MG, não há nenhuma informação referente à transferência de unidade prisional.

Tentativa de fuga.

Após o roubo, a Polícia Militar montou um esquema de monitoramento nas estradas da região. Os suspeitos estavam em um Meriva prata com placas de São José dos Campos, conduzido por Eduardo, quando foram localizados a caminho de Teófilo Otoni. Em um bloqueio policial, o veículo foi interceptado.

Dentro do carro, os militares encontraram: uma arma de airsoft com potencial lesivo; esferas de aço usadas como munição; cocaína e maconha; soco inglês e canivete; algemas, aparelho de choque, facão e um machado.

Os dois homens foram presos em flagrante por roubo, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais. De acordo com a corporação, Eduardo foi encaminhado para o Presídio de Teófilo Otoni (MG).

Versão do suspeito.

Em depoimento à polícia, Eduardo afirmou que havia viajado a Teófilo Otoni para ajudar um homem a construir uma cerca, atividade que disse exercer como serralheiro. Ele também declarou estar com depressão, ter câncer e que passou a usar drogas recentemente.

No registro policial, disse ainda que foi até a casa da vítima para comprar cocaína, e que teria feito transferências a Daniela entre os dias 3 e 12 de novembro, totalizando R$ 1.100.

A reportagem de OVALE tentou contato com a defesa do ex-candidato, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.

Polícia.

O delegado de Polícia Leonardo dos Santos Diniz, de Minas Gerais, ratificou a prisão em flagrante de Eduardo e Ricardo e disse que versão apresentada pelo ex-candidato a vereador não era "crível".

“Considerando não ser crível que os conduzidos se deslocaram de São José dos Campos para Teófilo Otoni para ‘fazer uma cerca’, ratifico a prisão dos conduzidos por roubo qualificado e uso de substância entorpecente”, afirmou o delegado em despacho policial.

Segundo Diniz, não foram encontrados “nenhum entorpecente, nem mesmo vestígios de drogas ou balança de precisão” na casa de Daniela (vítima), o que “refuta o alegado pelos conduzidos que compareceram na residência da vítima para adquirir drogas e compraram seu telefone celular”.

“Foi encontrada uma arma de pressão, o celular da vítima e pequena quantidade de drogas com os conduzidos, além de uma cédula de R$ 50, exatamente como narrado pela vítima”, completou o delegado.