01 de abril de 2026
'SENTI O CALOR'

'Foi aterrorizante', diz ativista sobre incêndio na COP30

Por Augusto Pinheiro | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Incêndio em uma das tendas da Zona Azul

O pavilhão Climate Live: Entertainment + Culture, organização que usa a arte e a cultura para enfrentar os desafios climáticos, foi um dos mais atingidos pelo incêndio desta quinta-feira (20) na zona azul da COP30, em Belém.

"Foi realmente aterrorizante. Eu podia sentir o calor na minha pele", conta, em nota, Frances Fox, fundadora da Climate Live, movimento de educação climática que participa do pavilhão.

Na semana passada, painéis do espaço tiveram a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, entre outros.

Fox relata que estava sentada no pavilhão, preparando-se para a próxima sessão, quando de repente ouviu gritos de pânico: "Fogo!".

"Levantei os olhos do meu laptop e vi as chamas irrompendo e se espalhando rapidamente pelo material do qual a zona azul é feita", diz.

A ativista espera que o incêndio sirva de alerta para os líderes mundiais na COP, que estão decidindo o destino do planeta. "Espero que eles encontrem em seus corações a empatia e ajam em prol daqueles que estão na linha de frente da crise climática, agora que sentiram o medo e o pânico de um incêndio."

Gabriel Mendes, coordenador brasileiro do movimento, conta que, quando o incêndio começou, ele estava no palco, durante um painel sobre a ausência de políticas públicas em territórios periféricos.

"Foi naquele exato momento, enquanto falávamos sobre negligência estrutural, que o fogo iniciou atrás de nós. Diante das chamas, a energia elétrica caiu repentinamente. Um dos participantes do painel disse algo que agora ressoa ainda mais forte: 'A falta de energia aqui não é diferente do que acontece todos os dias nas favelas e periferias do Brasil'", afirma. "Minutos depois, essa afirmação deixou de ser uma metáfora e se tornou uma realidade literal".

Mendes relata que os debatedores deixaram o palco às pressas, orientando as pessoas e tentando garantir que saíssem em segurança.

"Naquele momento, a COP30 deixou de ser um grande evento internacional e se tornou um reflexo do que muitas comunidades enfrentam diariamente nas periferias: o fogo não escolhe onde começar, simplesmente consome tudo em seu caminho. O pavilhão queimou, mas a força do que construímos não", opina.

Já o catalão Samuel Rubin, cofundador do Entertainment + Culture Pavillion, disse que "embora o único espaço dedicado à cultura dentro da zona azul possa estar coberto de cinzas, nosso firme compromisso de colocar a cultura no centro da ação climática permanece inabalável".

Segundo ele, até o momento, nenhum dos textos resultantes da COP30 menciona a importância e o papel da ação climática baseada na cultura. "Ainda temos 24 horas para mudar isso. Precisamos que os negociadores retornem à plenária e incluam a cultura no texto final antes do encerramento da sessão."