Um filhote de bulldogue francês de 10 meses, chamado Bruce, morreu após passar por um procedimento de banho e tosa em uma empresa terceirizada dentro do Vale Sul Shopping, em São José dos Campos. O caso aconteceu no dia 24 de outubro de 2025 e foi confirmado por laudo de necropsia assinado pela médica-veterinária Profa. Dra. Janaína Duart. O documento foi divulgado nesta quinta-feira (20).
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Segundo o relato da tutora, Nathália Ritter Rosa, Bruce estava no banho e tosa de uma empresa em um shopping da região Sul de São José, junto com outros cães da raça pug. Às 15h20, ela recebeu uma mensagem informando que os animais estavam prontos, mas não pôde buscá-los naquele momento. Cerca de uma hora depois, uma nova mensagem informava que os cães pareciam “fadigados”.
Ao chegar ao estabelecimento por volta das 17h, a tutora encontrou Bruce em estado crítico. Um funcionário relatou que o animal havia ficado aproximadamente dez minutos dentro de uma máquina secadora do modelo Saara Turbojet.
O bulldogue foi levado às pressas em um hospital, no Jardim Esplanada. De acordo com a veterinária responsável pelo atendimento, Marina Bernes dos Santos, o cão chegou com hemorragia nasal e oral, hipotermia de 35,6°C, ausência de batimentos cardíacos, distensão abdominal e mucosas arroxeadas.
Mesmo após oxigenioterapia, aplicação de adrenalina diretamente no coração e 15 minutos de manobras de ressuscitação, o animal não resistiu.
A tutora então autorizou a realização da necropsia.
A necropsia revelou alterações graves em vários órgãos. Segundo o documento havia intensa hiperemia na pele e subcutâneo; os pulmões estavam congestionados e com hemorragias acentuadas, inclusive com sangue na traqueia, brônquios e cavidade oral; fígado e rins apresentavam danos compatíveis com distúrbios circulatórios severos; o teste de pressão intratorácica indicou ausência de pressão negativa, fundamental para a respiração.
O laudo conclui que Bruce sofreu hiperventilação decorrente de estresse, calor e ambiente inadequado, fatores que aumentam a resistência respiratória e podem elevar perigosamente a temperatura corporal. Em cães braquicefálicos, como bulldogues franceses, a dificuldade de dissipar calor é ainda maior.
Esse quadro levou a um efeito em cadeia: hipóxia, acidose metabólica, hipertermia, vasodilatação, queda da pressão de perfusão, hemorragias pulmonares e, por fim, insuficiência respiratória aguda com falência múltipla de órgãos.
O documento reforça que o estresse e o confinamento na secadora foram fatores determinantes para o agravamento do quadro.
O relatório cita que o animal foi submetido à secadora por cerca de 10 minutos, período considerado arriscado para cães braquicefálicos devido à baixa capacidade respiratória.
A investigação das causas finais ainda depende de histopatologia complementar.