12 de março de 2026
DOCUMENTO OVALE CAST

‘Entendo que o PCC atua como máfia’, diz promotor do MP no Vale

Por Guilhermo Codazzi e Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Facção criminosa surgiu no Vale do Paraíba, em 1993, como um 'sindicato dos presos'

O PCC (Primeiro Comando da Capital) evoluiu ao longo dos seus 32 anos de existência para se transformar numa espécie de máfia brasileira, diferente das máfias italianas, europeias e americanas.

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Criado na Casa de Custódia de Taubaté em 1993, como uma espécie de ‘sindicato dos presos’, que reivindicava melhorias no sistema prisional, o PCC mudou ao longo do tempo e hoje é um dos mais temidos grupos criminosos da América do Sul, investindo no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro.

“Entendo que o PCC é uma máfia. A gente vai acompanhando há muitos anos, ele dizia que estava numa situação de pré-máfia, hoje é uma máfia”, disse o promotor de justiça Alexandre Castilho, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público.

“Talvez uma máfia diferente do que a gente está acostumado, como as máfias da Itália, da Rússia, as americanas. Mas a gente pode dizer que o PCC hoje é uma máfia, que está associada a outras máfias”, afirmou ele em entrevista ao Documento OVALE Cast, uma grande reportagem em formato de podcast.

Legislação.

Em meio às discussões sobre o PL Antifacção no Congresso Nacional, Castilho defender rever a legislação para combater o PCC como máfia.

“Isso demanda um tratamento legislativo mais duro. Penas mais duras, com algumas restrições relacionadas a direitos, porque é assim que se enfrenta o crime organizado”, afirmou.

“Esse é um momento interessante no país, porque a gente está discutindo essa a lei antimáfia. Uma legislação que endurece e que trata esse fenômeno. Porque hoje a gente tem uma lei única de crime organizado que trata tudo, desde o sonegador, o empresário que cria uma organização criminosa para sonegar, até o integrante do PCC. É uma mesma lei. Então, a criação de uma lei específica para esse tipo de criminalidade é importante”, explicou.

Castilho disse que as características que tornam o PCC uma máfia são a dominância territorial e a relação hierárquica.

“É um pouquinho diferente, por exemplo, de algumas máfias italianas, que são núcleos familiares. Não tem isso. Você tem as pessoas de confiança da liderança que organizam ali, que estão ganhando dinheiro, enquanto os soldados sofrem ali no dia a dia para sobreviver no tráfico, em pequenos crimes”.

“Você tem essa parcela que descobriu esse mercado internacional de drogas e que está ganhando dinheiro. Eu acho que essa é a realidade. O PCC que ganha dinheiro e um PCC que fica a mercê do sistema prisional”, completou.

OVALE Cast contou com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves. O episódio está disponível nos canais de OVALE no Youtube Spotify, além das redes sociais e no site do jornal.