10 de julho de 2026
FESTA LITEROMUSICAL

Academia Joseense de Letras decide não participar da Flim 2025

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Claudio Vieira/PMSJC
Festa Literomusical no Parque Vicentina Aranha

A Academia Joseense de Letras, que completa 45 anos, decidiu não participar da Flim (Festa Literomusical) de São José dos Campos, que vai acontecer entre os dias 28 e 30 de novembro, no Parque Vicentina Aranha, na região central da cidade.

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Serão 10 mesas literárias, sendo cinco “gerais” e cinco para o lançamento de livros de autores locais. O tema da 11ª edição do evento é “Voam as Palavras no Parque das Letras”. A programação foi divulgada na última terça-feira (4).

A festa acontecerá no final do mês após o cancelamento do evento em setembro, resultado do veto à jornalista e escritora Milly Lacombe, que faria a mesa de abertura da Flim. A participação dela foi vetada pelo prefeito Anderson Farias (PSD), após críticas da jornalista à “família tradicional brasileira”.

O veto provocou a desistência em massa de convidados e o consequente adiamento da Flim. O episódio envolvendo Milly Lacombe ainda repercute negativamente entre entidades ligadas à cultura.

Uma delas é a Academia Joseense de Letras, grupo com 26 membros efetivos e quatro honorários que decidiu não participar da festa neste ano, após o que o presidente da entidade, o escritor Eduardo Caetano, classificou como censura à jornalista e escritora.

Segundo ele, a Academia optou por não se manifestar sobre o caso Milly em razão da “perplexidade com o que aconteceu, com a censura que se deu”.

“Nós ficamos profundamente abalados. Enquanto outras instituições emitiam notas de repúdio, nós optamos pelo silêncio. A maioria dos acadêmicos entende que o trabalho literário, o trabalho cultural se torna inviável numa cidade onde há censura”, disse Caetano.

Outro motivo de a Academia não participar da Flim, explicou o escritor, é que a entidade não foi convidada a fazer parte da organização do evento, permanecendo numa posição de coadjuvante quando poderia contribuir de maneira mais efetiva com a Flim, que é promovida pela Afac (Associação para o Fomento da Arte e da Cultura), administradora do Parque Vicentina Aranha.

“Nosso entendimento e nosso sentimento é que nós temos a capacidade de fazer a curadoria ou até de organizar a festa com a Afac, mas isso não aconteceu”, disse Caetano.

O tema foi debatido entre os membros da Academia e a maioria, segundo o presidente, optou por não participar da Flim, “por entender que nós fomos preteridos”.

“Entender que nós poderíamos exercer outras funções, que poderíamos participar de uma forma melhor e com mais notoriedade, até porque esse ano a Academia completa 45 anos de existência. Então, é nesse sentido que não iremos participar”, afirmou Caetano.

Outro lado.

Procurada pela reportagem, a Afac disse que respeita a decisão da diretoria da Academia Joseense de Letras de optar pela não participação na Flim.

“O evento contará com mesas literárias compostas por escritores locais, alguns deles membros da AJL, que optaram por manter a participação de forma independente”, disse a associação.

“A Afac reitera o reconhecimento à importância da Academia Joseense de Letras na promoção e valorização da cultura e da literatura em São José dos Campos”, completou.