11 de julho de 2026
VAI UM AÍ?

“Caviar do Vale do Paraíba”: chegada do içá movimenta economia

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Jesse Nascimento

A temporada do içá, conhecido como o “caviar do Vale do Paraíba”, começou com força neste fim de outubro e já movimenta feiras, bares e comércios da região. Em cidades como São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Caçapava e Guaratinguetá, a iguaria voltou a aparecer e virou assunto nas rodas de conversa e nas mesas dos moradores.

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O içá é a formiga alada da espécie saúva (Atta spp.), que surge em determinadas épocas do ano para se reproduzir e formar novas colônias. A fêmea, chamada tanajura, é maior e mais robusta — e é justamente ela que se transforma no alimento típico consumido assado, frito ou cozido em diferentes receitas regionais.

Rico em proteínas e gorduras boas, o içá é considerado um alimento sustentável e nutritivo, com sabor marcante e textura crocante. Por isso, ganhou apelidos como “ouro das saúvas” e “caviar do interior”.


Tradição e economia movimentada

A iguaria é retirada de formigueiros subterrâneos e marca uma das tradições mais aguardadas do ano no Vale. Em muitas cidades, o preço do içá pode chegar a R$ 300 o quilo, tamanho o interesse dos consumidores.

Moradores se organizam em grupos para a chamada “caçada do içá”, saindo logo após as chuvas em busca dos formigueiros, munidos de baldes e lanternas. “É uma época curtinha, mas muito esperada. Tem gente que larga tudo para ir catar içá”, contou um morador de Caçapava, que participa da tradição há décadas.


Quando o içá aparece?

O fenômeno ocorre entre o fim de outubro e meados de novembro, dependendo da frequência das chuvas e da temperatura do solo. As formigas sobem à superfície logo após as primeiras chuvas fortes da primavera, principalmente à noite, quando o clima está úmido e quente — condição ideal para o voo nupcial das fêmeas.

O ciclo de colheita dura de sete a dez dias, podendo se estender conforme o regime de chuvas. Depois desse período, os insetos retornam à terra e só voltam a aparecer no ano seguinte.

Nas feiras de cidades como Taubaté, Caçapava, Pindamonhangaba e São José dos Campos, o içá pode ser encontrado fresco ou torrado, e já faz parte do cardápio tradicional de famílias e restaurantes regionais.