10 de julho de 2026
O BRASIL DO FUTURO

‘eVTOL e eletrificação vão revolucionar a mobilidade’, diz Andia

Por Xandu Alves | São Paulo
| Tempo de leitura: 10 min
Cláudio Vieira/PMSJC
Denis Andia (centro) participa de entrevista coletiva no estande da Eletra, em São Paulo

O futuro da mobilidade passa pelo Vale do Paraíba.

Tal reconhecimento vem do secretário nacional de Mobilidade do Ministério das Cidades, Denis Andia, que salientou a importância do desenvolvimento do “carro voador” pela subsidiária da Embraer em Taubaté, a Eve Air Mobility, e do novo sistema de transporte com ônibus elétricos em São José dos Campos, que vai se tornar referência para todo o país.

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Para Andia, as novas tecnologias em ambos os projetos vão revolucionar o transporte público nas cidades. “Estamos falando de avanços que vão revolucionar a mobilidade”, disse o executivo.

No Vale, nós temos a Eve que vai produzir o carro voador em Taubaté. Temos a eletrificação do transporte público em São José. Como o senhor vê a mobilidade no Brasil?

É um mercado, um setor em amplo desenvolvimento. E a tecnologia envolvida, ela acelera muito esse desenvolvimento. Você falou de algumas coisas que são importantes. A gente, alguns anos atrás, era só no desenho animado que a gente falava de carro voador. Hoje, conversando agora recentemente com o secretário de mobilidade da cidade de São Paulo, já tem algo em torno de 2.000 solicitações de pessoas que têm interesse de ter a habilitação para ter o seu carro voador.

Então, estamos falando de avanços como esse, mas estamos falando também de algo importante para os brasileiros em todo o país, que é a eletrificação das frotas de ônibus. O ônibus hoje é um dos meios mais utilizados, é o meio mais utilizado em todo o país e esse processo de eletrificação, de avanço da nossa tecnologia, menos poluente, mais confortável, mais barata, esse é um grande passo que nós estamos dando junto com todo o setor.

A Eletra, por exemplo, é uma empresa pioneira que apresentou para o mercado novos veículos e peças importantes para esse avanço que todos nós buscamos. O Ministério das Cidades tem apoiado os municípios, governos de estado, apoiado também o setor privado na renovação das frotas através do PAC Refrota. Vale tanto para o setor privado quanto para o setor público. Vale para as tecnologias menos poluentes ou as tecnologias, como é o caso dos elétricos, não poluentes.

Então nós temos hoje uma política pública muito consolidada ao longo desses últimos 2 anos e meio, que faz sentido nesse momento de transição que o país vive. Certamente o protagonismo que o Brasil vem ocupando no cenário internacional. Hoje o Brasil já é um dos países aonde a eletrificação das suas frotas, já em números absolutos, é uma das maiores em todo o mundo, mas nós buscamos algo ainda maior.

Nos próximos anos, a expectativa é que o Brasil passe a ser entre os três maiores do mundo e se consolide cada vez mais como uma grande referência para todos os países que buscam também essa transição energética.

 A tendência é o aumento do transporte coletivo público e a diminuição do transporte individual?

Esse é o nosso papel, o trabalho do desenvolvimento de políticas públicas para o transporte público coletivo é exatamente nesse sentido. Tornar a experiência do transporte público coletivo cada vez mais convidativa. Para que as pessoas utilizem mais.

Quando a pessoa utiliza um transporte público coletivo, ela deixa o seu carro em casa, ela pode ter o seu carro, mas ela deixa em casa, usa pontualmente, mas no seu dia-a-dia de trabalho, se ela usa o transporte público coletivo, ela está contribuindo para menos poluição nos grandes centros, está contribuindo para menos veículos circulando nas cidades, menos congestionamento, está contribuindo com uma infinidade de coisas que são importantes.

Então, o transporte público coletivo precisa, e é o que nós estamos fazendo, promover um novo convite para que as pessoas que em algum momento deixaram de utilizar e por vários motivos, voltem a utilizar. E como é que isso acontece? Acontece quando tem um transporte que funcione adequadamente, que funcione com pontualidade, com frequência, com conforto, com tecnologia embarcada.

Por conta disso é que nós temos os nossos programas de investimentos, para que nós tenhamos mais linhas de metrô, para que tenhamos mais corredores de ônibus exclusivos, mais BRTs, mais VLTs, uma frota renovada e convidativa, e esses investimentos hoje, só para você ter uma ideia, nos últimos 2 anos e meio, eles são em torno de R$ 55 bilhões.

Então, não é pouca coisa e não é pouco esforço que nós estamos fazendo para que os brasileiros possam ter melhores experiências em cada uma das cidades do Brasil, quando usam o transporte público coletivo.

Nesse sentido, como o sr. avalia o modelo de São José, que vai alugar 400 ônibus elétricos?

O modelo de São José é absolutamente inovador. Eu acho que ele resolve uma questão do capex [(despesa de capital] que é realmente um desafio muito grande para os prefeitos e prefeitas que desejam investir na transição em suas cidades. É sem dúvida alguma o primeiro olhar que o gestor público tem nesse investimento. E é um modelo que soluciona é isso. Vejo com bons olhos.

A gente está acompanhando muito de perto no sentido de poder replicar ou apresentar, aprender com tudo isso, estamos aprendendo todos juntos, algo tão novo para poder apresentar essa solução, sobretudo para cidades, talvez não do tamanho de grandes metrópoles, mas é uma solução realmente diferente que no meu ponto de vista, e falando como ex-prefeito de uma cidade de tamanho médio, eu vejo que isso solucionaria, vamos dizer, a minha primeira parada para olhar esse desafio inicial. Então acho que é uma boa solução.

O que o governo federal tem feito para estimular o uso de ônibus elétricos nas cidades?

O que o Ministério ]das Cidades] tem feito em termos de acompanhamento ou de trabalho em relação a isso é disponibilizar recursos para renovação de frotas. Através diretamente do PAC Refrota, através do Avançar as Cidades ou outras ferramentas, ou outros mecanismos para que se estimule isso. Lembrando sempre que o papel do governo federal, além de renovar as frotas, além de estimular a transição da matriz energética, ela é também de fomentar a indústria nacional.

Esse é um ponto que a gente não abre mão de maneira alguma, porque a gente entende que tudo que foi falado aqui [no Congresso Nacional de Mobilidade] do desenvolvimento de uma nova tecnologia ou de novas tecnologias, como foi falado em algum momento e se comentou que nada mais importante do que a detenção do conhecimento para um país.

Então, quando a gente fala do investimento da indústria nacional, não é uma proteção, mas é um investimento no futuro desse país. Muito além disso, e na bagagem disso tudo, também a geração de empregos, obviamente, enfim, uma roda que gira virtuosamente. Então, a gente tem, além do apoio financeiro, o apoio também de retaguarda técnica é importante.

O governo estuda a possibilidade de implantar a tarifa zero no país? E do chamado Sistema Único de Transporte?

É um assunto importante que passou a tomar vulto nos últimos dois meses. É algo que o governo está realmente trabalhando. Esse trabalho se dá, nesse momento, em duas frentes. Uma é técnica, dentro do Ministério das Cidades, no sentido de como desenvolver a política de aplicação.

Mas uma primeira etapa é a que está sendo realizada hoje no Ministério da Fazenda, que é a identificação da capacidade que o governo tem de definir as fontes de recurso e o montante possível de investimento. Se a gente falar de um volume tal de possibilidade de investimento nisso, nós temos soluções compatíveis com isso, mas se o volume for menor ou maior, nós temos outras linhas de implantação de políticas públicas.

É importante dizer que a gente tem que tratar com muita responsabilidade e prudência, sobretudo, como a forma como você colocou do tarifa zero, que é o que todo mundo tem falado. Mas eu queria quero colocar um ponto nessa questão, para que a gente não crie uma expectativa difícil de atingir.

O que nós estamos buscando nesse momento é a criação de uma política pública aonde a União vai colocar, pela primeira vez na história, recursos públicos, não de forma emergencial como ocorreu em 2022, decorrente da pandemia, mas de uma forma através de uma política pública permanente de recursos em sistemas e operações.

E que quando a gente fala do tarifa zero, obviamente que quando a gente fala disso, a gente entende do que nós estamos falando. Mas ao mesmo tempo gera uma expectativa que não é a realidade dos primeiros passos que nós vamos ter.

Os primeiros passos são de primeiro identificar quanto a gente tem para fazer, de onde vem esses recursos e com base nesse montante, que obviamente não vai ser algo em torno de R$ 80 bilhões, que é o que custa hoje a operação do sistema público de transporte no Brasil. É muito dinheiro.

Então, obviamente que os primeiros passos eles não vão solucionar esse montante, mas o que nós estamos buscando é modicidade tarifária. Olhar para as pessoas que ficam aquém hoje do transporte público. Quem são essas pessoas? As pessoas que não têm a condição de sequer pegar um ônibus hoje. Elas estão à margem disso. Então, esse é um olhar que uma política pública nacional precisa ter.

E a modicidade tarifária, que passo a passo pode se transformar num dia numa tarifa zero nacional ou que pode num curto espaço de tempo se transformar numa política de tarifa zero em algumas cidades, dependendo do tamanho da operação, dependendo da qualidade que o sistema tem, porque não adianta você reduzir drasticamente uma tarifa ou até zerar para oferecer um transporte público que não é de qualidade. A experiência não vai ser boa.

E o que tem sido desenvolvido nesse sentido?

O trabalho que estamos desenvolvendo depois desse período de pandemia, e o que nós desenvolvemos nesse período agora com esse governo, é de reconvidar o passageiro a utilizar o transporte público, aquele passageiro que por vários motivos se afastou, seja pelo aplicativo, seja pelo carro individual, seja pela qualidade. Que ele possa ser convidado novamente a usufruir de um sistema que seja confortável, que tenha tecnologia embarcada e tal.

Por isso, os mecanismos que eu falei no começo, eles fazem sentido porque são peças que se encaixam dentro de um quebra-cabeça muito maior. Que hoje nós podemos falar desse assunto entre aspas aqui da tarifa zero. Nós podemos falar hoje, não poderíamos falar disso há 2 anos e meio. Sem antes investimentos em infraestrutura não adianta. As pessoas precisam ter linhas que atendam melhor, que realmente passem por onde as pessoas realmente precisam do transporte público.

Quando eu falava do estudo em parceria com o BNDES, um dos grandes pontos que nós temos nesse estudo, é essa linha futura que vai sendo desenhada ao longo dos anos, até 30 anos para frente. São sistemas, redes de transporte público que realmente vão passar aonde hoje existem as demandas das pessoas que mais precisam e para onde as cidades vão crescer e se desenvolver nos próximos anos.

Então, é um olhar para grande parte da população que realmente necessita para o seu trabalho, necessita para uma consulta médica. Hoje, falo aqui como ex-prefeito também, qualquer prefeitura hoje que marca no seu sistema público consultas tem 20%, 23% de pessoas que não comparecem. Uma boa parte dessas pessoas que não comparecem é porque não tem como chegar lá.

Então, eu acho que é um passo a passo, mas sim, nós estamos caminhando de uma maneira como nunca se trabalhou em cima anteriormente no sentido da União ter a sua participação em conjunto com estados, em conjunto com prefeituras, para a gente reduzir as tarifas da população brasileira.